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Minha experiência com a Tradestation Global (corretora parceira da Interactive Brokers)

2020.11.13 05:07 profeta- Minha experiência com a Tradestation Global (corretora parceira da Interactive Brokers)

Introdução

Fala pessoal!
Inspirado no post do gonus_ sobre as diversas opções de corretora para investir no exterior resolvi relatar minha experiência com a Tradestation Global (TSG), que não foi mencionada.
Como vários já sabem, a melhor opção de ETFs para brasileiros são os de acumulação domiciliados na Irlanda (esse não é o objetivo do post, se alguém quiser entender melhor recomendo este vídeo do Otávio Paranhos). Entretanto, a maioria das corretoras no exterior operam apenas no mercado americano (e portanto só permitem investir em ETFs domiciliados nos EUA).
A exceção é a Interactive Brokers (IBKR), que opera globalmente. O problema é que ela cobra uma taxa mensal de manutenção de $10 (dez dólares) de usuários que tenham menos de $100k (cem mil dólares) investidos.
Incomodado com isso comecei a buscar uma outra alternativa de corretora e acabei encontrando aqui no sub, num comentário perdido em um post aleatório que nunca mais achei, uma menção à Tradestation Global.
Pesquisando melhor ela me pareceu a opção perfeita para investimentos de menos de $100k em ETFs irlandeses.
É uma corretora parceira da própria Interactive Brokers - na realidade é aberta uma conta em seu nome na Interactive Brokers UK (IBUK) - e todas negociações podem ser feitas pelas plataformas da própria IBKIBUK (Traderworkstation - TWS, IBKR Mobile). A cláusula 1.1 do contrato com a TSG explicita que eles são apenas uma "introdução" à plataforma da IBUK, que é quem abre a conta e faz todas as operações.
 

Comparação com a Interactive Brokers

O maior atrativo da TSG é que não há taxa mensal de manutenção de $10 como na IBKR. Assim, fica mais viável investir valores menores em ETFs irlandeses.
No entanto, ela tem algumas desvantagens:
 
 
Não sei se o Stock Yield Enhancement Program (aluguel de ações) está disponível. Suponho que sim, mas assim como na IBKR seria necessário possuir mais de $50k investidos.
As taxas mais altas não me parecem um problema para quem, como eu, vai seguir uma estratégia de pouquíssimas compras mensais para buy & hold de ETFs. Para quem pretende fazer day ou swing trade, por outro lado, pode inviabilizar a operação.
A ausência de compras fracionadas não me pareceu um grande problema para compra de ETFs, pois ao menos os que me interessaram no momento (EIMI e SWRD) têm um preço por ação inferior 40 USD. Além disso, pelo que sei vários ETFs tentam manter o preço por ação acessível através de splits.
Já o depósito inicial mínimo pode ser um tanto salgado, mas acredito ser possível para quem está realocando investimentos que possui aqui no Brasil (Poupança, CDB, Tesouro Direto, etc.) ou pode passar alguns meses guardando para acumular esse valor.
 
*Para os menores volumes no plano tiered da IBKR é cobrada, para ativos no mercado americano, corretagem de USD 0.0035 por ação, com um mínimo de USD 0.35 e máximo de 1% do valor da operação. Para ativos nos mercados europeus é cobrado 0.050% do valor da operação, com um mín. de USD 1.70 e máx. de USD 39.00 para ativos denominados em USD e mín. de EUR 1.25 e máx. de EUR 29.00 para ativos denominados em EUR.
Na TSG a taxa no mercado americano é de USD 0.007 por ação com mínimo de USD 1.5 e nos mercados europeus é de 0.12% sobre o valor da operação, com um mínimo de EUR 1.75 ou USD 2.50.
 

Abertura da conta

Para quem já tem conta na Interactive Brokers, em tese é possível conectá-la à TSG - quase que uma alteração do plano de tarifas. Entretanto, já vi gente que não conseguiu fazer por sua conta estar registrada na Interactive Brokers US, enquanto os clientes TSG têm a conta aberta na Interactive Brokers UK.
Para quem ainda não tem conta na Interactive Brokers, os requisitos para abertura da conta são bem explicados no FAQ, portanto vou acrescentar minha experiência pessoal.
Comecei o cadastro pelo site da TSG**, mas logo após a primeira etapa o procedimento é redirecionado para o site da IBUK. Assim, a partir desse momento dá para seguir os vários vídeos que tem por aí explicando como abrir uma conta na Interactive Brokers, pois o procedimento é praticamente o mesmo.
Uma dica é não se assustar se o site travar no meio do cadastro: aconteceu comigo e, depois de já ter criado login e senha, foi só retornar ao site da IBUK, fazer o login, e retomar de onde tinha parado.
Uma meia hora depois de ter terminado o cadastro recebi uma ligação de um alemão falando inglês que se identificou como funcionário da TSG e perguntou se eu tinha alguma dúvida sobre o procedimento e confirmou que produtos eu pretendia comprar. Respondi que pretendia investir nos "Irish domiciled ETFs" e que não tinha nenhuma dúvida. Não precisei de nenhum suporte, mas essa ligação me deixou uma impressão de disponibilidade caso necessitasse de ajuda.
Não lembro exatamente em que parte do procedimento de abertura fiz isso, mas em algum momento eles pedem que você instale o app IBKR Mobile no celular para fazer a autenticação em dois fatores (Two-Factor Authentication - 2FA). É relativamente simples e você recebe um SMS e depois cadastra um PIN no appdo celular. Depois disso, ao tentar logar no site ele envia uma notificação no app para você logar com a digital. Às vezes a confirmação com digital não funciona e então é mais chato o procedimento: (i) clicar no site em "Click here if you did not receive the message."; (ii) informar no app o PIN e a sequência numérica "Challenge" que aparece no site; e (iii) informar no site a sequência numérica "Response" gerada pelo app.
Depois disso, ao logar no site da IBUK eles informam que para continuar a abertura da conta é preciso enviar a documentação necessária e fazer a remessa do depósito inicial de $1.000.
 
**Há um campo "Offer Code" (indicação/código de desconto). Eu acabei encontrando num vídeo de um youtuber europeu o código 5077, que dá 10% de desconto nas taxas de corretagem por 3 meses (não é muito, mas melhor que nada kkkkk).
 

Documentação necessária

A documentação é enviada a um e-mail informado no site ([email protected] quando abri a minha conta).
O FAQ esclarece quanto aos vários tipos de documentos que eles aceitam.
Eu acabei enviando meu passaporte, CNH e comprovante de residência.
Acredito que o passaporte não teria sido necessário, mas como tinha em mãos resolvi enviar. É essencial que ao menos um dos documentos de identificação contenha o seu CPF (é o "Tax ID Number" que a TSG pede) - se nenhum tiver, acho que devem aceitar o comprovante oficial emitido no site da Receita.
Quanto ao comprovante de residência eles são bem tranquilos: segundo o FAQ aceitam utility bills (contas de água, luz, etc. recentes), deed ou outra prova de propriedade (matrícula de imóvel p. ex.), fatura de cartão de crédito vinculado a banco, etc. Eu acabei enviando a fatura do meu cartão de crédito do Itaú e aceitaram sem problemas.
 

Remessa do depósito mínimo inicial

No mesmo dia em que enviei os documentos já fiz o meu depósito inicial. Não sei se o depósito é um pré-requisito para que cheguem a analisar a documentação ou se seria possível enviar os documentos e fazer o depósito apenas após ter a confirmação de que está tudo ok. De qualquer jeito, no site informam que, caso por algum motivo não seja possível abrir a conta, eles devolvem o dinheiro remetido.
O procedimento de depósito é todo feito pelo site da IBUK, portanto dá para seguir os vários vídeos que explicam o procedimento de remessa para conta na Interactive Brokers.
De qualquer jeito vou tentar resumir aqui.
Primeiro, é preciso avisar no site da IBUK que você irá fazer uma depósito (menu "Deposit" ou "Fund your account"). Depois de selecionar "Wire/SEPA", é necessário informar o valor depósito e o banco remetente (eu coloquei "Remessa Online" e deu tudo certo).
Com o aviso de depósito, a IBUK informa os dados para remessa (titular, conta bancária, endereço, códigos, etc.), sendo que um dos mais importantes é o seu número de usuário (campo "Payment Reference/For Further Credit to" - por exemplo "U1234567 / Joãozinho da Silva"), que serve para indicar à corretora quem é o favorecido pelo depósito.
A partir daí é só fazer a remessa para a conta informada (lembrando de colocar o "Payment Reference/For Further Credit to" conforme informado pela IBUK) através do serviço de câmbio que preferir.
Eu acabei usando a Remessa Online, que no geral tem as menores taxas***. O único alerta que faço é para não selecionar como corretora a Interactive Brokers que já está cadastrada por padrão no site da Remessa Online. Os dados bancários dessa opção padrão são os da Interactive Brokers americana (IBKR), enquanto clientes que chegam pela TSG, até onde sei, têm sua conta aberta na Interactive Brokers UK (IBUK), que possui dados bancários diferentes. Sempre confira e use os dados bancários informados no site da IBUK quando você criar o aviso de depósito. EDIT: Um amigo abriu conta pela TSG e os dados para depósito foram os da conta americana da IBKR. No fim, acho que a conta para depósito vai depender da base currency/moeda de depósito. Eu fiz em EUR por algumas questões pessoais específicas e minha conta para depósito foi a europeia da IBUK, mas acredito que a maioria fará em USD e, portanto, vai ser orientado a transferir para a conta bancária americana da IBKR.
Feito o aviso de depósito no site da IBUK e programada a remessa no Remessa Online, é só fazer o TED no valor informado para a conta do banco parceiro da Remessa Online que em um dia útil a IBUK deve receber a remessa e confirmar o depósito.
 
*** Como era minha primeira remessa usei um código de um amigo que me deu 50% de desconto na taxa cobrada. O meu código para quem quiser esses 50% de desconto na primeira remessa é JG1012 (a cada uso eu ganho 5% de desconto na taxa cobrada por um ano, limitado a 50%) - se informar código for contra as regras do sub peço desculpas aos mods e posso editar sem problemas 😜
 

Tempo entre início do cadastro e primeiras operações

Iniciei meu cadastro numa terça-feira e na quinta-feira já comprei meus primeiros ETFs irlandeses.
Comecei meu cadastro no site da TSG ao meio-dia de uma terça-feira. No mesmo dia de tarde já havia finalizado essa parte, recebido a ligação, enviado os documentos, programado o depósito e feito o TED para a Remessa Online.
Assim, no dia seguinte (quarta-feira) antes do meio-dia a IBUK confirmou a abertura da minha conta. Com isso recebi um e-mail da Tradestation me passando um login e senha deles (diferentes do login e senha cadastrados no site da IBUK), mas não usei esses dados para nada - acredito que serviriam para usar o homebroker da Tradestation, que também é disponibilizado aos clientes TSG/IBUK.
Ainda na quarta tomei um susto pois não estava conseguindo usar meu login e senha (cadastrados no site da IBUK) para acessar o homebrokers deles (Traderworkstation - TWS) ou as funções de negociação no IBKR Mobile. No entanto, encontrei numa página de suporte (não lembro agora o link) a informação de que, após a confirmação da abertura de uma nova conta, esta só é habilitada para negociação no dia seguinte.
Com um pouco de paciência, aguardei até o dia seguinte (quinta-feira) e então pude fazer o login no IBKR Mobile (nem cheguei a testar o TWS, mas creio que também funcionaria) e operar sem problemas.
 

Homebroker

Não vou entrar em detalhes sobre as alternativas para operar, apenas mencionar que estão disponíveis todas plataformas da IBKR: Traderworkstation (TWS), IBKR Mobile e WebTrader (Legacy).
Também é possível usar a TradeStation Global Platform, mas não cheguei a testá-la.
Como uso pouco e apenas para comprar ETFs, não senti necessidade de usar qualquer plataforma além do IBKR Mobile, que funcionou perfeitamente.
 

Saques

Ainda não realizei nenhum saque, então não tenho como comentar sobre o procedimento.
Quanto a taxas para saques, ao que me parece é aplicada a tabela da IBUK: um saque gratuito por mês e os saques subsequentes (Wire) são sujeitos a taxa de 10 USD ou 8 EUR.
 
 
Bom pessoal acho que não esqueci de nada e foi essa minha experiência. Se tiverem mais alguma dúvida vou fazer o possível para esclarecer.
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2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
submitted by UninformedImmigrant to portugal [link] [comments]


2020.09.13 00:57 Pvfreitas Debenture Eneva?

Eae pessoal. Recebi o email abaixo da XP a respeito da oferta publica de debenture da Eneva. Me pareceu uma taxa interessante pra uma deb AAA livre de IR, mas nao conheco a empresa a fundo.
Qual a opiniao de voces sobre a Eneva?
Segue detalhes da emissao:

Emissora / Securitizadora: ENEVA S.A.
📷
Emissão e Série: 6ª emissão da Emissora, em duas séries
📷
Valor Total da Oferta: R$835.000.000,00 (oitocentos e trinta e cinco milhões de reais), sem considerar a colocação das debêntures adicionais
📷
Aplicação Mínima: R$ 1.000,00 (mil reais)
📷
Quantidade de CRA: 835.000.000,00 (oitocentos e trinta e cinco milhões de reais), sem considerar a colocação das debêntures adicionais
📷
Valor Nominal Unitário: R$ 1.000,00 (mil reais), na Data de Emissão
📷
Data de Vencimento: 1ªSérie: 15 de setembro de 2030 2ªSérie: 15 de setembro de 2035
📷
Atualização Monetária: Sim, pela variação acumulada do IPCA
📷
Remuneração Teto (Definida em Procedimento de Bookbuilding): 1ªSérie: IPCA + 3,90% ou NTNB 30 + 1,05% 2ªSérie: IPCA + 4,35% ou NTNB 35 + 1,10%
📷
Pagamento Juros: Semestral em ambas as séries, assim como descrito na página 62 do Prospecto Preliminar da oferta.
📷
Pagamento Amortização: 1ªSérie: As Debêntures da Primeira Série serão amortizadas em 3 (três) parcelas anuais e consecutivas sendo a primeira parcela devida em 15 de setembro de 2028 e a última na Data de Vencimento da Primeira Série. 2ªSérie: As Debêntures da Segunda Série serão amortizadas em 3 (três) parcelas anuais e consecutivas sendo a primeira parcela devida em 15 de setembro de 2033 e a última na Data de Vencimento da Segunda Série
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Montante Mínimo: As Debêntures da Primeira Série contarão com o montante mínimo de 100.000 (cem mil) Debêntures.
Debêntures da Segunda Série contaram com o montante máximo de 735.000 (setecentas e trinta e cinco mil) Debêntures
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Período de Reserva: Entre 1º de setembro de 2020, inclusive, e 15 de setembro de 2020, inclusive
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Procedimento de Bookbuilding: 16 de setembro de 2020
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Liquidação Financeira: 29 de setembro de 2020
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Coordenador Líder: Banco Itaú BBA S.A.
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Rating preliminar: “brAAA” pela Standard & Poor's Ratings do Brasil Ltda
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Agente Fiduciário: Pentágono S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, instituição financeira, com endereço na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Avenida das Américas, nº 4.200, Bloco 8, Ala B, Salas 302, 303 e 304, Barra da Tijuca, CEP 22640-102, inscrita no CNPJ/ME sob o nº 17.343.682/0001-38 (www.pentagonotrustee.com.br), representada pela Sra. Marcelle Santoro, pelo Sr. Marco Aurélio Ferreira e pela Sra. Karolina Vangelotti, telefone (21) 3385-4565, correio eletrônico: [[email protected]](mailto:[email protected])
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Devedora: Eneva S.A., sociedade por ações, registrada perante a CVM na categoria “A”, sob o código 21237, com sede na Praia de Botafogo, nº 501, Bloco I, 4º e 6º andares,v Botafogo, na Cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, inscrita no CNPJ/ME sob o nº 04.423.567/0001-21 e na JUCERJA sob o Número de Identificação do Registro de Empresas – NIRE 33.300.284.028
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2020.08.12 19:09 HDG-History-Of-War Pára-quedistas da 101ª Divisão Aerotransportada dos EUA.

Pára-quedistas da 101ª Divisão Aerotransportada dos EUA.
Pára-quedistas da 101ª Divisão Aerotransportada dos EUA exibem uma bandeira nazista capturada em uma vila perto de Utah Beach, Saint-Marcouf, França, junho de 1944.
https://preview.redd.it/xeki3ip3tlg51.jpg?width=960&format=pjpg&auto=webp&s=b8fabe5f40994fbc3672c5ce84d51835b0a6fdea
Os precursores da 101.ª Divisão Aerotransportada abriram o caminho para o Dia D, no lançamento noturno de paraquedistas na madrugada antes da invasão. Eles descolaram da base de North Witham, tendo lá treinado com a 82.ª Divisão Aerotransportada. Os planadores foram particularmente ineficazes neste lançamento, com um elevado número de aparelhos acidentados e equipamento e pessoal perdido.
O soldado Ware aplica uma pintura de guerra de última hora ao soldado Plaudo, na Inglaterra em junho de 1944.
Os objetivos da 101st eram assegurar as quatro vias de acesso à Praia de Utah, entre St Martin-de-Varreville e Pouppeville, para garantir a saída da 4.ª Divisão de Infantaria da praia, no final da manhã.Os outros objetivos incluíam a destruição de uma bateria de artilharia de costa alemã em Saint-Martin-de-Varreville, a captura de edifícios próximos a Mésières, que se pensavam serem camaratas inimigas e um posto de comando da bateria de artilharia, a captura da eclusa do rio Douve em La Barquette (em frente a Carentan ), capturando as duas pequenas pontes no Douve em La Porte, em frente a Brévands, destruindo as pontes rodoviárias sobre o Douve em Saint-Côme-du-Mont e protegendo o vale do rio Douve. A sua missão secundária era proteger o flanco sul do VII Corpo.
Paraquedistas da 101.ª Divisão posam com um sinal de identificação aérea de um veículo nazi capturado dois dias após o desembarque na Normandia.
Os paraquedistas destruíram duas pontes ao longo da rodovia de Carentan e uma ponte ferroviária a oeste desta. Asseguraram o controlo das eclusas de La Barquette e estabeleceram uma cabeça-de-ponte sobre o rio Douve, localizada a nordeste de Carentan.
Neste processo, as unidades condicionaram ainda as comunicações alemãs, montaram bloqueios em estradas para dificultar o movimento dos seus reforços, estabeleceram uma linha defensiva entre a cabeça de praia e Valognes, limparam a área das zonas de lançamento até Les Forges e garantiram a ligação com a 82.ª Divisão Aerotransportada.
Duas ações de destaque aconteceram perto de Sainte Marie-du-Mont, por unidades do 506.º Regimento de Infantaria Paraquedista (506th PIR), as quais envolveram a captura e destruição de baterias de obuses de 105 mm do III Batalhão Alemão-191.º Regimento de Artilharia. Durante a manhã, uma pequena patrulha de soldados da Companhia E (Easy Company) 506.º PIR, comandada pelo 1.º Tenente Richard D. Winters enfrentou uma força três a quatro vezes superior e destruiu quatro armas, numa quinta chamada Brécourt Manor. Pelo comando desta operação, Winters foi mais tarde premiado com a Cruz de Serviços Distintos, e os seus homens com Estrelas de Prata e Bronze. Estes acontecimentos foram documentados no livro Band of Brothers e na aclamada minissérie de mesmo nome.
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2020.07.23 10:09 diplohora Mes estudos para o CACD - Bruno Pereira Rezende

Livro do diplomata Bruno Pereira Rezende
INTRODUÇÃO
📷📷Desde quando comecei os estudos para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), li dezenas de recomendações de leituras, de guias de estudos extraoficiais, de dicas sobre o concurso, sobre cursinhos preparatórios etc. Sem dúvida, ter acesso a tantas informações úteis, vindas de diversas fontes, foi fundamental para que eu pudesse fazer algumas escolhas certas em minha preparação, depois de algumas vacilações iniciais. Mesmo assim, além de a maioria das informações ter sido conseguida de maneira dispersa, muitos foram os erros que acho que eu poderia haver evitado. Por isso, achei que poderia ser útil reunir essas informações que coletei, adicionando um pouco de minha experiência com os estudos preparatórios para o CACD neste documento.
Além disso, muitas pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, já vieram me pedir sugestões de leituras, de métodos de estudo, de cursinhos preparatórios etc., e percebi que, ainda que sempre houvesse alguma diferenciação entre as respostas, eu acabava repetindo muitas coisas. É justamente isso o que me motivou a escrever este documento – que, por não ser (nem pretender ser) um guia, um manual ou qualquer coisa do tipo, não sei bem como chamá-lo, então fica como “documento” mesmo, um relato de minhas experiências de estudos para o CACD. Espero que possa ajudar os interessados a encontrar, ao menos, uma luz inicial para que não fiquem tão perdidos nos estudos e na preparação para o concurso.
Não custa lembrar que este documento representa, obviamente, apenas a opinião pessoal do autor, sem qualquer vínculo com o Ministério das Relações Exteriores, com o Instituto Rio Branco ou com o governo brasileiro. Como já disse, também não pretendo que seja uma espécie de guia infalível para passar no concurso. Além disso, o concurso tem sofrido modificações frequentes nos últimos anos, então pode ser que algumas coisas do que você lerá a seguir fiquem ultrapassadas daqui a um ou dois concursos. De todo modo, algumas coisas são básicas e podem ser aplicadas a qualquer situação de prova que vier a aparecer no CACD, e é necessário ter o discernimento necessário para aplicar algumas coisas do que falarei aqui a determinados contextos. Caso você tenha dúvidas, sugestões ou críticas, fique à vontade e envie-as para [[email protected] ](mailto:[email protected])(se, por acaso, você tiver outro email meu, prefiro que envie para este, pois, assim, recebo tudo mais organizado em meu Gmail). Se tiver comentários ou correções acerca deste material, peço, por favor, que também envie para esse email, para que eu possa incluir tais sugestões em futura revisão do documento.
Além desta breve introdução e de uma também brevíssima conclusão, este documento tem quatro partes. Na primeira, trato, rapidamente, da carreira de Diplomata: o que faz, quanto ganha, como vai para o exterior etc. É mais uma descrição bem ampla e rápida, apenas para situar quem, porventura, estiver um pouco mais perdido. Se não estiver interessado, pode pular para as partes seguintes, se qualquer prejuízo para seu bom entendimento. Na segunda parte, trato do concurso: como funciona, quais são os pré-requisitos para ser diplomata, quais são as fases do concurso etc. Mais uma vez, se não interessar, pule direto para a parte seguinte. Na parte três, falo sobre a preparação para o concurso (antes e durante), com indicações de cursinhos, de professores particulares etc. Por fim, na quarta parte, enumero algumas sugestões de leituras (tanto próprias quanto coletadas de diversas fontes), com as devidas considerações pessoais sobre cada uma. Antes de tudo, antecipo que não pretendo exaurir toda a bibliografia necessária para a aprovação, afinal, a cada ano, o concurso cobra alguns temas específicos. O que fiz foi uma lista de obras que auxiliaram em minha preparação (e, além disso, também enumerei muitas sugestões que recebi, mas não tive tempo ou vontade de ler – o que também significa que, por mais interessante que seja, você não terá tempo de ler tudo o que lhe recomendam por aí, o que torna necessário é necessário fazer algumas escolhas; minha intenção é auxiliá-lo nesse sentido, na medida do possível).
Este documento é de uso público e livre, com reprodução parcial ou integral autorizada, desde que citada a fonte. Sem mais, passemos ao que interessa.
Parte I – A Carreira de Diplomata
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, rápida apresentação sobre mim. Meu nome é Bruno Rezende, tenho 22 anos e fui aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2011. Sou graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (turma LXII, 2007-20110), e não tinha certeza de que queria diplomacia até o meio da universidade. Não sei dizer o que me fez escolher a diplomacia, não era um sonho de infância ou coisa do tipo, e não tenho familiares na carreira. Acho que me interessei por um conjunto de aspectos da carreira. Comecei a preparar-me para o CACD em meados de 2010, assunto tratado na Parte III, sobre a preparação para o concurso.
Para maiores informações sobre o Ministério das Relações Exteriores (MRE), sobre o Instituto Rio Branco (IRBr), sobre a vida de diplomata etc., você pode acessar os endereços:
- Página do MRE: http://www.itamaraty.gov.b
- Página do IRBr: http://www.institutoriobranco.mre.gov.bpt-b
- Canal do MRE no YouTube: http://www.youtube.com/mrebrasil/
- Blog “Jovens Diplomatas”: http://jovensdiplomatas.wordpress.com/
- Comunidade “Coisas da Diplomacia” no Orkut (como o Orkut está ultrapassado, procurei reunir todas as informações úteis sobre o concurso que encontrei por lá neste documento, para que vocês não tenham de entrar lá, para procurar essas informações):
http://www.orkut.com.bMain#Community?cmm=40073
- Comunidade “Instituto Rio Branco” no Facebook: http://www.facebook.com/groups/institutoriobranco/
Com certeza, há vários outros blogs (tanto sobre a carreira quanto sobre a vida de diplomata), mas não conheço muitos. Se tiver sugestões, favor enviá-las para [[email protected].](mailto:[email protected])
Além disso, na obra O Instituto Rio Branco e a Diplomacia Brasileira: um estudo de carreira e socialização (Ed. FGV, 2007), a autora Cristina Patriota de Moura relata aspectos importantes da vida diplomática daqueles que ingressam na carreira. Há muitas informações desatualizadas (principalmente com relação ao concurso), mas há algumas coisas interessantes sobre a carreira, e o livro é bem curto.
A DIPLOMACIA E O TRABALHO DO DIPLOMATA
Com a intensificação das relações internacionais contemporâneas e com as mudanças em curso no contexto internacional, a demanda de aprimoramento da cooperação entre povos e países tem conferido destaque à atuação da diplomacia. Como o senso comum pode indicar corretamente, o
diplomata é o funcionário público que lida com o auxílio à Presidência da República na formulação da política externa brasileira, com a condução das relações da República Federativa do Brasil com os demais países, com a representação brasileira nos fóruns e nas organizações internacionais de que o país faz parte e com o apoio aos cidadãos brasileiros residentes ou em trânsito no exterior. Isso todo mundo que quer fazer o concurso já sabe (assim espero).
Acho que existem certos mitos acerca da profissão de diplomata. Muitos acham que não irão mais pagar multa de trânsito, que não poderão ser presos, que nunca mais pegarão fila em aeroporto etc. Em primeiro lugar, não custa lembrar que as imunidades a que se referem as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares só se aplicam aos diplomatas no exterior (e nos países em que estão acreditados). No Brasil, os diplomatas são cidadãos como quaisquer outros. Além disso, imunidade não é sinônimo de impunidade, então não ache que as imunidades são as maiores vantagens da vida de um diplomata. O propósito das imunidades é apenas o de tornar possível o trabalho do diplomata no exterior, sem empecilhos mínimos que poderiam obstar o bom exercício da profissão. Isso não impede que diplomatas sejam revistados em aeroportos, precisem de vistos, possam ser julgados, no Brasil, por crimes cometidos no exterior etc.
Muitos também pensam que irão rodar o mundo em primeira classe, hospedar-se em palácios suntuosos, passear de iate de luxo no Mediterrâneo e comer caviar na cerimônia de casamento do príncipe do Reino Unido. Outros ainda acham que ficarão ricos, investirão todo o dinheiro que ganharem na Bovespa e, com três anos de carreira, já estarão próximos do segundo milhão. Se você quer ter tudo isso, você está no concurso errado, você precisa de um concurso não para diplomata, mas para marajá. Obviamente, não tenho experiência suficiente na carreira para dizer qualquer coisa, digo apenas o que já li e ouvi de diversos comentários por aí. É fato que há carreiras públicas com salários mais altos. Logo, se você tiver o sonho de ficar rico com o salário de servidor público, elas podem vir a ser mais úteis nesse sentido. Há não muito tempo, em 2006, a remuneração inicial do Terceiro-Secretário (cargo inicial da carreira de diplomata), no Brasil, era de R$ 4.615,53. Considerando que o custo de vida em Brasília é bastante alto, não dava para viver de maneira tão abastada, como alguns parecem pretender. É necessário, entretanto, notar que houve uma evolução significativa no aspecto salarial, nos últimos cinco anos (veja a seç~o seguinte, “Carreira e Salrios). De todo modo, já vi vários diplomatas com muitos anos de carreira dizerem: “se quiser ficar rico, procure outra profissão”. O salário atual ajuda, mas não deve ser sua única motivação.
H um texto ótimo disponível na internet: “O que é ser diplomata”, de César Bonamigo, que reproduzo a seguir.
O Curso Rio Branco, que frequentei em sua primeira edição, em 1998, pediu-me para escrever sobre o que é ser diplomata. Tarefa difícil, pois a mesma pergunta feita a diferentes diplomatas resultaria, seguramente, em respostas diferentes, umas mais glamourosas, outras menos, umas ressaltando as vantagens, outras as desvantagens, e não seria diferente se a pergunta tratasse de outra carreira qualquer. Em vez de falar de minhas impressões pessoais, portanto, tentarei, na medida do possível, reunir observações tidas como “senso comum” entre diplomatas da minha geraç~o.
Considero muito importante que o candidato ao Instituto Rio Branco se informe sobre a realidade da carreira diplomática, suas vantagens e desvantagens, e que dose suas expectativas de acordo. Uma expectativa bem dosada não gera desencanto nem frustração. A carreira oferece um pacote de coisas boas (como a oportunidade de conhecer o mundo, de atuar na área política e econômica, de conhecer gente interessante etc.) e outras não tão boas (uma certa dose de burocracia, de hierarquia e dificuldades no equacionamento da vida familiar). Cabe ao candidato inferir se esse pacote poderá ou não fazê-lo feliz.
O PAPEL DO DIPLOMATA
Para se compreender o papel do diplomata, vale recordar, inicialmente, que as grandes diretrizes da política externa são dadas pelo Presidente da República, eleito diretamente pelo voto popular, e pelo Ministro das Relações Exteriores, por ele designado. Os diplomatas são agentes políticos do Governo, encarregados da implementação dessa política externa. São também servidores públicos, cuja função, como diz o nome, é servir, tendo em conta sua especialização nos temas e funções diplomáticos.
Como se sabe, é função da diplomacia representar o Brasil perante a comunidade internacional. Por um lado, nenhum diplomata foi eleito pelo povo para falar em nome do Brasil. É importante ter em mente, portanto, que a legitimidade de sua ação deriva da legitimidade do Presidente da República, cujas orientações ele deve seguir. Por outro lado, os governos se passam e o corpo diplomático permanece, constituindo elemento importante de continuidade da política externa brasileira. É tarefa essencial do diplomata buscar identificar o “interesse nacional”. Em negociações internacionais, a diplomacia frequentemente precisa arbitrar entre interesses de diferentes setores da sociedade, não raro divergentes, e ponderar entre objetivos econômicos, políticos e estratégicos, com vistas a identificar os interesses maiores do Estado brasileiro.
Se, no plano externo, o Ministério das Relações Exteriores é a face do Brasil perante a comunidade de Estados e Organizações Internacionais, no plano interno, ele se relaciona com a Presidência da República, os demais Ministérios e órgãos da administração federal, o Congresso, o Poder Judiciário, os Estados e Municípios da Federação e, naturalmente, com a sociedade civil, por meio de Organizações Não Governamentais (ONGs), da Academia e de associações patronais e trabalhistas, sempre tendo em vista a identificação do interesse nacional.
O TRABALHO DO DIPLOMATA
Tradicionalmente, as funções da diplomacia são representar (o Estado brasileiro perante a comunidade internacional), negociar (defender os interesses brasileiros junto a essa comunidade) e informar (a Secretaria de Estado, em Brasília, sobre os temas de interesse brasileiro no mundo). São também funções da diplomacia brasileira a defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior, o que é feito por meio da rede consular, e a promoção de interesses do País no exterior, tais como interesses econômico-comerciais, culturais, científicos e tecnológicos, entre outros.
No exercício dessas diferentes funções, o trabalho do diplomata poderá ser, igualmente, muito variado. Para começar, cerca de metade dos mil1 diplomatas que integram o Serviço Exterior atua no Brasil, e a outra metade nos Postos no exterior (Embaixadas, Missões, Consulados e Vice-Consulados). Em Brasília, o diplomata desempenha funções nas áreas política, econômica e administrativa, podendo cuidar de temas tão diversos quanto comércio internacional, integração regional (Mercosul), política bilateral (relacionamento do Brasil com outros países e blocos), direitos humanos, meio ambiente ou administração física e financeira do Ministério. Poderá atuar, ainda, no Cerimonial (organização dos encontros entre autoridades brasileiras e estrangeiras, no Brasil e no exterior) ou no relacionamento do Ministério com a sociedade (imprensa, Congresso, Estados e municípios, Academia, etc.).
No exterior, também, o trabalho dependerá do Posto em questão. As Embaixadas são representações do Estado brasileiro junto aos outros Estados, situadas sempre nas capitais, e desempenham as funções tradicionais da diplomacia (representar, negociar, informar), além de promoverem o Brasil junto a esses Estados. Os Consulados, Vice-Consulados e setores consulares de Embaixadas podem situar-se na capital do país ou em outra cidade onde haja uma comunidade brasileira expressiva. O trabalho nesses Postos é orientado à defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior. Nos Postos multilaterais (ONU, OMC, FAO, UNESCO, UNICEF, OEA etc.), que podem ter natureza política, econômica ou estratégica, o trabalho envolve, normalmente, a representação e a negociação dos interesses nacionais.
O INGRESSO NA CARREIRA
A carreira diplomática se inicia, necessariamente, com a aprovação no concurso do Instituto Rio Branco (Informações sobre o concurso podem ser obtidas no site http://www2.mre.gov.birbindex.htm). Para isso, só conta a competência – e, talvez, a sorte – do candidato. Indicações políticas não ajudam.
AS REMOÇÕES
Após os dois anos de formação no IRBr , o diplomata trabalhará em Brasília por pelo menos um ano. Depois, iniciam-se ciclos de mudança para o exterior e retornos a Brasília. Normalmente, o diplomata vai para o exterior, onde fica três anos em um Posto, mais três anos em outro Posto, e retorna a Brasília, onde fica alguns anos, até o início de novo ciclo. Mas há espaço para flexibilidades. O diplomata poderá sair para fazer um Posto apenas, ou fazer três Postos seguidos antes de retornar a Brasília. Isso dependerá da conveniência pessoal de cada um. Ao final da carreira, o diplomata terá passado vários anos no exterior e vários no Brasil, e essa proporção dependerá essencialmente das escolhas feitas pelo próprio diplomata. Para evitar que alguns diplomatas fiquem sempre nos “melhores Postos” – um critério, aliás, muito relativo – e outros em Postos menos privilegiados, os Postos no exterior estão divididos em [quatro] categorias, [A, B, C e D], obedecendo a critérios não apenas de qualidade de vida, mas também geográficos, e é seguido um sistema de rodízio: após fazer um Posto C, por exemplo, o diplomata terá direito a fazer um Posto A [ou B], e após fazer um Posto A, terá que fazer um Posto [B, C ou D].
AS PROMOÇÕES
Ao tomar posse no Serviço Exterior, o candidato aprovado no concurso torna-se Terceiro-Secretário. É o primeiro degrau de uma escalada de promoções que inclui, ainda, Segundo-Secretário, Primeiro-
-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe (costuma-se dizer apenas “Ministro”) e Ministro de Primeira Classe (costuma-se dizer apenas “Embaixador”), nessa ordem. Exceto pela primeira promoção, de Terceiro para Segundo-Secretário, que se dá por tempo (quinze Terceiros Secretários são promovidos a cada semestre), todas as demais dependem do mérito, bem como da articulação política do diplomata. Nem todo diplomata chega a Embaixador. Cada vez mais, a competição na carreira é intensa e muitos ficam no meio do caminho. Mas, não se preocupem e também não se iludam: a felicidade não está no fim, mas ao longo do caminho!
DIRECIONAMENTO DA CARREIRA
Um questionamento frequente diz respeito à possibilidade de direcionamento da carreira para áreas específicas. É possível, sim, direcionar uma carreira para um tema (digamos, comércio internacional, direitos humanos, meio ambiente etc.) ou mesmo para uma região do mundo (como a Ásia, as Américas ou a África, por exemplo), mas isso não é um direito garantido e poderá não ser sempre possível. É preciso ter em mente que a carreira diplomática envolve aspectos políticos, econômicos e administrativos, e que existem funções a serem desempenhadas em postos multilaterais e bilaterais em todo o mundo, e n~o só nos países mais “interessantes”. Diplomatas est~o envolvidos em todas essas variantes e, ao longo de uma carreira, ainda que seja possível uma certa especialização, é provável que o diplomata, em algum momento, atue em áreas distintas daquela em que gostaria de se concentrar.
ASPECTOS PRÁTICOS E PESSOAIS
É claro que a vida é muito mais que promoções e remoções, e é inevitável que o candidato queira saber mais sobre a carreira que o papel do diplomata. Todos precisamos cuidar do nosso dinheiro, da saúde, da família, dos nossos interesses pessoais. Eu tentarei trazem um pouco de luz sobre esses aspectos.
DINHEIRO
Comecemos pelo dinheiro, que é assunto que interessa a todos. Em termos absolutos, os diplomatas ganham mais quando estão no exterior do que quando estão em Brasília. O salário no exterior, no entanto, é ajustado em função do custo de vida local, que é frequentemente maior que no Brasil. Ou seja, ganha-se mais, mas gasta-se mais. Se o diplomata conseguirá ou não economizar dependerá i) do salário específico do Posto , ii) do custo de vida local, iii) do câmbio entre a moeda local e o dólar, iv) do fato de ele ter ou não um ou mais filhos na escola e, principalmente, v) de sua propensão ao consumo. Aqui, não há regra geral. No Brasil, os salários têm sofrido um constante desgaste, especialmente em comparação com outras carreiras do Governo Federal, frequentemente obrigando o diplomata a economizar no exterior para gastar em Brasília, se quiser manter seu padrão de vida. Os diplomatas, enfim, levam uma vida de classe média alta, e a certeza de que não se ficará rico de verdade é compensada pela estabilidade do emprego (que não é de se desprezar, nos dias de hoje) e pela expectativa de que seus filhos (quando for o caso) terão uma boa educação, mesmo para padrões internacionais.
SAÚDE
Os diplomatas têm um seguro de saúde internacional que, como não poderia deixar de ser, tem vantagens e desvantagens. O lado bom é que ele cobre consultas com o médico de sua escolha, mesmo que seja um centro de excelência internacional. O lado ruim é que, na maioria das vezes, é preciso fazer o desembolso (até um teto determinado) para depois ser reembolsado, geralmente em 80% do valor, o que obriga o diplomata a manter uma reserva financeira de segurança.
FAMÍLIA : O CÔNJUGE
Eu mencionei, entre as coisas n~o t~o boas da carreira, “dificuldades no equacionamento da vida familiar”. A primeira dificuldade é o que fará o seu cônjuge (quando for o caso) quando vocês se mudarem para Brasília e, principalmente, quando forem para o exterior. Num mundo em que as famílias dependem, cada vez mais, de dois salários, equacionar a carreira do cônjuge é um problema recorrente. Ao contrário de certos países desenvolvidos, o Itamaraty não adota a política de empregar ou pagar salários a cônjuges de diplomatas. Na prática, cada um se vira como pode. Em alguns países é possível trabalhar. Fazer um mestrado ou doutorado é uma opção. Ter filhos é outra...
Mais uma vez, não há regra geral, e cada caso é um caso. O equacionamento da carreira do cônjuge costuma afetar principalmente – mas não apenas – as mulheres, já que, por motivos culturais, é mais comum o a mulher desistir de sua carreira para seguir o marido que o contrário2.
CASAMENTO ENTRE DIPLOMATAS
Os casamentos entre diplomatas não são raros. É uma situação que tem a vantagem de que ambos têm uma carreira e o casal tem dois salários. A desvantagem é a dificuldade adicional em conseguir que ambos sejam removidos para o mesmo Posto no exterior. A questão não é que o Ministério vá separar esses casais, mas que se pode levar mais tempo para conseguir duas vagas num mesmo Posto. Antigamente, eram frequentes os casos em que as mulheres interrompiam temporariamente suas carreiras para acompanhar os maridos. Hoje em dia, essa situação é exceção, não a regra.
FILHOS
Não posso falar com conhecimento de causa sobre filhos, mas vejo o quanto meus colegas se desdobram para dar-lhes uma boa educação. Uma questão central é a escolha da escola dos filhos, no Brasil e no exterior. No Brasil, a escola será normalmente brasileira, com ensino de idiomas, mas poderá ser a americana ou a francesa, que mantém o mesmo currículo e os mesmos períodos escolares em quase todo o mundo. No exterior, as escolas americana e francesa são as opções mais frequentes,
podendo-se optar por outras escolas locais, dependendo do idioma. Outra questão, já mencionada, é o custo da escola. Atualmente, não existe auxílio-educação para filhos de diplomatas ou de outros Servidores do Serviço Exterior brasileiro, e o dinheiro da escola deve sair do próprio bolso do servidor.
CÉSAR AUGUSTO VERMIGLIO BONAMIGO - Diplomata. Engenheiro Eletrônico formado pela UNICAMP. Pós- graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Programa de Formação e Aperfeiçoamento - I (PROFA -
I) do Instituto Rio Branco, 2000/2002. No Ministério das Relações Exteriores, atuou no DIC - Divisão de Informação Comercial (DIC), 2002; no DNI - Departamento de Negociações Internacionais, 2003, e na DUEX - Divisão de União Europeia e Negociações Extrarregionais. Atualmente, serve na Missão junto à ONU (DELBRASONU), em NYC.
2 Conforme comunicado do MRE de 2010, é permitida a autorização para que diplomatas brasileiros solicitem passaporte diplomático ou de serviço e visto de permanência a companheiros do mesmo sexo. Outra resolução, de 2006, já permitia a inclusão de companheiros do mesmo sexo em planos de assistência médica.
Para tornar-se diplomata, é necessário ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que ocorre todos os anos, no primeiro semestre (normalmente). O número de vagas do CACD, em condições normais, depende da vacância de cargos. Acho que a quantidade normal deve girar entre 25 e 35, mais ou menos. Desde meados dos anos 2000, como consequência da aprovação de uma lei federal, o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty3) ampliou seus quadros da carreira de diplomata, e, de 2006 a 2010, foram oferecidas mais de cem vagas anuais. Com o fim dessa provisão de cargos, o número de vagas voltou ao normal em 2011, ano em que foram oferecidas apenas 26 vagas (duas delas reservadas a portadores de deficiência física4). Para os próximos concursos, há perspectivas de aprovação de um projeto de lei que possibilitará uma oferta anual prevista de 60 vagas para o CACD, além de ampliar, também, as vagas para Oficial de Chancelaria (PL 7579/2010). Oficial de Chancelaria, aproveitando que citei, é outro cargo (também de nível superior) do MRE, mas não integra o quadro diplomático. A remuneração do Oficial de Chancelaria, no Brasil, é inferior à de Terceiro-Secretário, mas os salários podem ser razoáveis quando no exterior. Já vi muitos casos de pessoas que passam no concurso de Oficial de Chancelaria e ficam trabalhando no MRE, até que consigam passar no CACD, quando (aí sim) tornam-se diplomatas.
Para fazer parte do corpo diplomático brasileiro, é necessário ser brasileiro nato, ter diploma válido de curso superior (caso a graduação tenha sido realizada em instituição estrangeira, cabe ao candidato providenciar a devida revalidação do diploma junto ao MEC) e ser aprovado no CACD (há, também, outros requisitos previstos no edital do concurso, como estar no gozo dos direitos políticos, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter idade mínima de dezoito anos, apresentar aptidão física e mental para o exercício do cargo e, para os homens, estar em dia com as obrigações do Serviço Militar). Os aprovados entram para a carreira no cargo de Terceiro-Secretário (vide hierarquia na próxima seç~o, “Carreira e Salrios”). Os aprovados no CACD, entretanto, não iniciam a carreira trabalhando: há, inicialmente, o chamado Curso de Formação, que se passa no Instituto Rio Branco (IRBr). Por três semestres, os aprovados no CACD estudarão no IRBr, já recebendo o salário de Terceiro-Secretário (para remunerações, ver a próxima seç~o, “Hierarquia e Salrios).
O trabalho no Ministério começa apenas após um ou dois semestres do Curso de Formação no IRBr (isso pode variar de uma turma para outra), e a designação dos locais de trabalho (veja as subdivisões do MRE na página seguinte) é feita, via de regra, com base nas preferências individuais e na ordem de classificação dos alunos no Curso de Formação.
3 O nome “Itamaraty” vem do nome do antigo proprietrio da sede do Ministério no Rio de Janeiro, o Bar~o Itamaraty. Por metonímia, o nome pegou, e o Palácio do Itamaraty constitui, atualmente, uma dependência do MRE naquela cidade, abrigando um arquivo, uma mapoteca e a sede do Museu Histórico e Diplomático. Em Brasília, o Palácio Itamaraty, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970, é a atual sede do MRE. Frequentemente, “Itamaraty” é usado como sinônimo de Ministério das Relações Exteriores.
4 Todos os anos, há reserva de vagas para deficientes físicos. Se não houver número suficiente de portadores de deficiência que atendam às notas mínimas para aprovação na segunda e na terceira fases do concurso, que têm caráter eliminatório, a(s) vaga(s) restante(s) é(são) destinada(s) aos candidatos da concorrência geral.
O IRBr foi criado em 1945, em comemoração ao centenário de nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Como descrito na página do Instituto na internet, seus principais objetivos são:
harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática (já que qualquer curso superior é válido para prestar o CACD);
desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira;
iniciar os alunos nas práticas e técnicas da carreira.
No Curso de Formação (cujo nome oficial é PROFA-I, Programa de Formação e Aperfeiçoamento - obs.: n~o sei o motivo do “I”, n~o existe “PROFA-II”), os diplomatas têm aulas obrigatórias de: Direito Internacional Público, Linguagem Diplomática, Teoria das Relações Internacionais, Economia, Política Externa Brasileira, História das Relações Internacionais, Leituras Brasileiras, Inglês, Francês e Espanhol. Há, ainda, diversas disciplinas optativas à escolha de cada um (como Chinês, Russo, Árabe, Tradução, Organizações Internacionais, OMC e Contenciosos, Políticas Públicas, Direito da Integração, Negociações Comerciais etc.). As aulas de disciplinas conceituais duram dois semestres. No terceiro semestre de Curso de Formação, só há aulas de disciplinas profissionalizantes. O trabalho no MRE começa, normalmente, no segundo ou no terceiro semestre do Curso de Formação (isso pode variar de uma turma para outra). É necessário rendimento mínimo de 60% no PROFA-I para aprovação (mas é praticamente impossível alguém conseguir tirar menos que isso). Após o término do PROFA-I, começa a vida de trabalho propriamente dito no MRE. Já ouvi um mito de pedida de dispensa do PROFA I para quem já é portador de título de mestre ou de doutor, mas, na prática, acho que isso não acontece mais.
Entre 2002 e 2010, foi possível fazer, paralelamente ao Curso de Formação, o mestrado em diplomacia (na prática, significava apenas uma matéria a mais). Em 2011, o mestrado em diplomacia no IRBr acabou.
Uma das atividades comuns dos estudantes do IRBr é a publicação da Juca, a revista anual dos alunos do Curso de Formação do Instituto. Segundo informações do site do IRBr, “[o] termo ‘Diplomacia e Humanidades’ define os temas de que trata a revista: diplomacia, ciências humanas, artes e cultura. A JUCA visa a mostrar a produção acadêmica, artística e intelectual dos alunos da academia diplomática brasileira, bem como a recuperar a memória da política externa e difundi-la nos meios diplomático e acadêmico”. Confira a página da Juca na internet, no endereço: http://juca.irbr.itamaraty.gov.bpt-bMain.xml.
Para saber mais sobre a vida de diplomata no Brasil e no exterior, sugiro a conhecida “FAQ do Godinho” (“FAQ do Candidato a Diplomata”, de Renato Domith Godinho), disponível para download no link: http://relunb.files.wordpress.com/2011/08/faq-do-godinho.docx. Esse arquivo foi escrito há alguns anos, então algumas coisas estão desatualizadas (com relação às modificações do concurso, especialmente). De todo modo, a parte sobre o trabalho do diplomata continua bem informativa e atual.
MEUS ESTUDOS PARA O CACD – http://relunb.wordpress.com
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2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
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Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
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Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
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2020.01.28 15:15 RuleryanTheDarkElf Desmistifique-se que: O Homem de chapéu preto e bigode NÃO é o Infante D. Henrique.

Ver aqui os painéis de São Vicente com as pessoas devidamente identificadas
O mito de que o infante D. Henrique é o senhor de chapéu é perpetuado ad infinum na sociedade portuguesa e até internacional. É necessário por fim a este mito que já foi resolvido há bastante tempo pela historiografia portuguesa, mas que não tem sido passado há população portuguesa em geral. Passo a citar o trabalho da página repensando a idade média:
“D. DUARTE - O HOMEM DO CAPEIRÃO (1)
Trucidemos já a maior de todas as controvérsias: a identidade do homem do capeirão. Quase todas as hipóteses de identificação deste cavalheiro postuladas até hoje assentam na comparação entre o retrato do Painel dito do Infante com a iluminura que supostamente retrata o suposto dito Infante no manuscrito da Crónica da Guiné, de Gomes de Zurara. Esta semelhança é incontornável. O problema é que se parte da certeza de facto de que a imagem no manuscrito é a do Infante D. Henrique, popularizada pelo Estado Novo e conhecida de todos os portugueses e portuguesas.
Contextualmente, parece fácil afirmar o retrato da Crónica da Guiné como o do Infante. Não só o texto é parcialmente uma homenagem aos seus feitos, como o retrato surge por cima da sua divisa pessoal. Há no entanto várias incongruências pictóricas, estilísticas e materiais no manuscrito — elencadas de forma exímia por Dagoberto Markl (pp. 67-98) — que se podem resumir da seguinte forma: as páginas onde se encontra o retrato não pertencem ao manuscrito. Terão pertencido a outro volume, e sido acrescentadas (e retocadas) posteriormente ao manuscrito que se guarda na Biblioteca Nacional de França.
Quem será então o retratado? Considerando que a fase dos Descobrimentos relatada na Crónica ter ocorrido durante o reinado de D. Duarte, não seria de todo estranho ter o retrato do monarca no manuscrito. Retrato esse, aliás, que bate não só com a descrição física que é feita de D. Duarte — “Homem de boa estatura do corpo e de grandes e fortes membros; tinha o acatamento da sua presença mui gracioso, os cabelos corredios, o rosto redondo e algum tanto enverrugado, os olhos moles, e pouca barba”, segundo Ruy de Pina — como, também, a uma pista preciosa que Oliveira Marques nos dá: referindo-se ao facto de a face escanhoada (“glabra”) ser a norma no Portugal de Quatrocentos, aponta D. Duarte como uma das excepções conhecidas. “D. Duarte teria usado bigode, moda que vigorou por alguns anos (...)" (p. 87). Como fonte, é-nos apontada a transcrição de Artur da Mota Alves, em Os Painéis de S. Vicente de Lisboa num Códice da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro: "El rrej dom duarte esta na sacristia de S. Domingos em uma taúoa pequena de altura de hu couodo, E esta o porpo (sic) todo posto que a taboa he pequena açima dos almarios onde se Reuestem os frades per dizer missa não tinha mais barba que bigodes" (apud Oliveira Marques, p. 268; Markl, p. 96). Ou seja, mesmo outros retratos do monarca apresentavam-no apenas e somente de bigode. Não invalidando o facto de dois irmãos poderem usar o mesmo estilo facial, há apenas uma figura abigodada deste modo nos Painéis: o homem do capeirão.
Acrescente-se a isto o seguinte: o estilo enorme de capeirão usado pela figura, já para não falar das suas vestes, passou totalmente de moda em Portugal por volta de 1430-1440, mais tardar. O Infante morreu em 1460. D. Duarte morre em 1438. Qual seria a probabilidade de uma figura da realeza vir a ser retratada, ao contrário de todas as demais do políptico, com vestes e adereços totalmente fora de moda? Pelo contrário, a incluir-se a figura de Duarte na cena, não tentaria o artista fazer uso — como faz para outras personagens retratadas postumamente — de roupas, acessórios, cortes de cabelo e quejandos, adequados à idade e época da sua morte?
D. HENRIQUE - O CAVALEIRO AJOELHADO (6)
Pois bem. Se o homem do capeirão for D. Duarte, estará D. Henrique incluído no políptico? Sim: no Painel dos Cavaleiros. Como o sabemos? Entre outras coisas, porque existe um retrato coevo do Infante: o jacente (estátua) do seu túmulo no Mosteiro da Batalha, cuja fotografia se pode ver anexada a este artigo. Mais uma vez, a semelhança é inegável. Para além disso, voltamos a ter uma descrição física fulcral: segundo Zurara, D. Henrique tinha “a estatura do corpo em boa grandeza e foe home de carnadura grossa e de largos e fortes membros a cabelladura auya alguu tanto aleuantada a coor de natureza branca mais polla continuaço do trabalho per tepo tornou dotra forma (…)” . O homem do capeirão não tem cabelos brancos. O cavaleiro ajoelhado tem.
BIBLIOGRAFIA
Carvalho, J. (1965). Iconografia e Simbólica do Políptico de São Vicente de Fora. Lisboa: [Edição de Autor] Cortesão, J. (1990). Os Descobrimentos Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda [reedição do texto original] Markl, D. (1988). O Retábulo de S. Vicente da Sé de lisboa e os Documentos. Lisboa: Editorial Caminho SA Oliveira Marques, A. (2010). A Sociedade Medieval Portuguesa – Aspectos do Quotidiano. Lisboa: Esfera dos Livros Serrão, V. (2003). “Pintura e Vitral”. Em Barroca, Mário; História da Arte em Portugal, vol. II, O Gótico. Lisboa: Editorial Presença, pp. 279-285.”
TLDR: O infante D. Henrique não é aquele homem de chapéu preto e bigode que estamos habituados a ver. Esse é o D.Duarte rei de Portugal. O Infante D. Henrique verdadeiro é o número 6 dos painéis.
EDIT: Obrigado pelo silver caro redditor desconhecido!
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2019.11.04 23:20 nat23rod Apronto Operacional PQD EB

Apronto Operacional PQD EB
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Anexo “B” – Composição mínima dos Kits (Sugestão) Este anexo apresenta a composição mínima dos kits individuais e coletivos. A relação do conteúdo dos kits fixada no “tupperware” deve ser comum a todos os alunos. A única exceção será para o Kit de Saúde que, além do material padronizado, poderá conter ainda algum medicamento de uso pessoal. Os mementos de explosivos e de infiltração serão distribuídos durante as respectivas instruções, sendo proibido o uso de outros mementos. Poderão ser conduzidos nos respectivos kits (explosivos e anotação) ou então reunidos em um “porta-memento”, impermeabilizado no padrão estabelecido pelo curso. O turno deverá estar padronizado. A quantidade de material abaixo listado deverá ser suficiente para 05 (cinco) dias de operações. 1. KITS INDIVIDUAIS a. Kit de Manutenção do Armamento - Chave de fenda - Toca pino - Óleo WD 40 ou similar - Pincel - Escovinha - Panos diversos (estopa, “Perfex”, flanela, etc.) - Cordel para limpeza do cano - Pedra de amolar OBSERVAÇÃO: 1) É proibido o uso de lixas de qualquer tipo; 2) O turno deverá possuir, no mínimo, 05 (cinco) chaves de clicar. b. Kit de Manutenção do Uniforme - Pomada para calçados marrom - Escovinha para aplicação da pomada - Agulhas - Linha V.O. - Tesoura - Botões - Alfinetes de segurança e comuns - Par reserva de bombachas - Par reserva de cadarços velame para boot c. Kit de Saúde - Anti-térmico(s) (Ex.: Dipirona, Tylenol, Novalgina, etc.) - Anti-gripal(is) (Ex.: Dimetap, Coristina D, vitamina C, Apracur) - Anti-diarréico(s) (Ex.: Floratil, Difenoxilato) - Anti-séptico(s) (Ex.:Água oxigenada, álcool iodado, Povidine) - Anti-inflamatório(s) (Ex: Voltaren, Cataflan, Tandrilax, etc.) - Hidróxido de alumínio - Hipoglós - Anti-emético (Ex.: Plasil, Metoclopramida, etc.) - Quadriderme / Nebacetin - Compressas de gaze - Algodão - Esparadrapo SUGESTÃO: padronizar o tipo, a cor e o tamanho dos invólucros dos kits. CURSO DE PRECURSOR PARAQUEDISTA – ORIENTAÇÃO AO CANDIDATO PRECEDE, GUIA E LIDERA! 21 - Atadura - Esparadrapo tipo micropore (não solta com água) - Colírio estéril - Pinça - Vaselina - Rehidrat/Gatorade em pó/Cebion Glicose (similares) - Protetor solar - Protetor labial - Medicamento de uso pessoal (SFC) d. Kit de Explosivos - Fita métrica - Fósforos e lixa (impermeabilizado) - Isqueiro - Estilete - Fita isolante/ “silver tape” (um rolo) - Barbante alcotroado - Memento de explosivos (a ser distribuído) e. Kit de Anotação - Bloco de anotações (pautado) - Bloco de anotações impermeabilizado ou à prova d’água - Jogo de canetas de retroprojetor (ponta fina) - Caneta “4 cores” - Lápis/lapiseira 0,5mm - Borracha - Frasco de álcool - Pano para limpeza - Jogo de esquadros, transferidor de 180° e compasso - Escalímetro - Lápis de cor (azul, verde, preto, vermelho, marrom, laranja e amarelo) - Calculadora - Memento de infiltração (a ser distribuído) - Lápis dermatográfico f. Kit de Higiene - Espelho - Sabão de coco - Pente - Creme dental - Escova de dentes - Creme de barbear - Barbeador - Toalha (de natação ou “camping”) - Cortador de unhas - Frasco com álcool + perfex (banho a seco) ou lenços umedecidos - Papel higiênico g. Kit de Camuflagem - Espelho - Bastão ou pastas de camuflagem (nas cores verde, preto e marrom; com predominância da cor verde). CURSO DE PRECURSOR PARAQUEDISTA – ORIENTAÇÃO AO CANDIDATO PRECEDE, GUIA E LIDERA! 22 2. KITS COLETIVOS a. Kit Saúde Coletivo – 4 partes (Kit Medicamentos, Kit Sutura, Kit Soro e Kit Curativo/Queimaduras) Kit Nr 01 – Medicamentos - Antitérmico (injetável e oral) – (Dipirona, Novalgina, etc) - Anti-histamínico (injetável e oral) – (Fenergan, Polaramine, etc) - Anti-inflamatório (injetável e oral) – (Diclofenaco, Cataflan, etc) - Anti-emético (injetável e oral) – (Plasil, Metoclopramida, etc) - Antibiótico (injetável) – (Benzetacil, etc) - Antigripal (oral) – (Benegripe, Vitamina C, etc) - Glicose 25% - Diluente - Seringa de 05 e 10 ml CURSO DE PRECURSOR PARAQUEDISTA – ORIENTAÇÃO AO CANDIDATO PRECEDE, GUIA E LIDERA! 23 Kit Nr 02 – Sutura - Luvas Cirúrgicas (03) - Compressa de Gaze (04 Pct) - Seringa de 05 ml (03) - Seringa de 10 ml (02) - Agulhas intradérmicas (03) - Agulhas subcutâneas (02) - Lidocaína 1% 20 ml (02) - Fio Sutura 2/0 (02) - Fio Sutura 3/0 (03) - Fio Sutura 4/0 (03) - Lâmina p/ bisturi (08) - Material p/ sutura – (Porta agulha, cabo de bisturi, tesoura, manta) CURSO DE PRECURSOR PARAQUEDISTA – ORIENTAÇÃO AO CANDIDATO PRECEDE, GUIA E LIDERA! 24 Kit Nr 03 – Soro - Soro fisiológico 0,9% - Soro glicosado 5% - Álcool - Esparadrapo tipo micropore - Garrote - Scalp Nr 21 (01) - Scalp Nr 23 (02) - Equipo p/ soro (02) - Gelco (02) CURSO DE PRECURSOR PARAQUEDISTA – ORIENTAÇÃO AO CANDIDATO PRECEDE, GUIA E LIDERA! 25 Kit Nr 04 – Curativo / Queimaduras - Pomada cicatrizante (01) – (Nebacetin, fibrase, etc) - Pomada para queimaduras – (Pratazine, etc) - Anestésico tópico – (Lidocaína gel, etc) - Antiséptico – (Povidine, iodopovidona, etc) - Luvas de procedimento (02) - Oclusor ocular (vários) - Esparadrapo largo comum (01) - Compressa de gaze (08) - Atadura de crepon (02) - Algodão hidrófilo (01 pct) CURSO DE PRECURSOR PARAQUEDISTA – ORIENTAÇÃO AO CANDIDATO PRECEDE, GUIA E LIDERA! 26 b. Kit Operações Dividido no menor número de fardos (“tupperware”) possível, contendo o seguinte material: - Pó xadrez em pequenos potes, na seguinte quantidade: verde (02), azul (01), preto (01), amarelo (01) e vermelho (01); - Bonecos, árvores (em boa quantidade), cercas, postes, pontes, edificações, casario, etc. - Aeronaves (transporte de tropa e caça), helicópteros, botes, viaturas, etc. - Estilete, tesoura, etc. - Cartões plastificados com a terminologia utilizada em missões de patrulhas (bem visível), segundo o C 21-75 (Patrulhas) e em branco; (Ex: REC 1, PRPO, N, OBJ, etc.) - Fios de lã ou crochê coloridos; - Papel “contact”; - Papel ofício; - Papelão, isopor, cartolina colorida, etc. - Fita adesiva transparente (durex) larga; - Caneta “4 cores”; - Giz (branco e colorido); - Jogo de canetas de retroprojetor (ponta fina e ponta grossa); - Curvímetro - Frasco com álcool e pano(s) para limpeza; - Canetas “Pilot” e canetas para quadro branco do tipo “WBM-7” ou similares, nas cores preto, vermelho, azul e verde (no mínimo 02 (duas) de cada cor para cada tipo); - Lisolenes em branco e preenchidos para emissão de ordens *; - Quadros de azimutes e distâncias em branco *; - Saco plástico para o preparo da areia (misturá-la com pó xadrez). - Corretor de texto - Caneta lumicolor * Preparados segundo a orientação do instrutor de infiltração. Obs: 1) Os itens para mobiliar o caixão de areia (bonecos, árvores, construções, viaturas, aeronaves, etc.) devem ser de uma escala pequena. Os bonecos “amigos” devem ser identificados com o número dos alunos (bem visível), devendo haver, ainda, uma pequena sobra de bonecos sem essa identificação; 2) Os lisolenes e as canetas Pilot e WBM-7 não deverão ser acondicionados em “tupperware”; 3) O material constante do Kit de Operações do cunhete vermelho é basicamente o mesmo do kit de Operações da mochila. No entanto, outros itens devem ser adicionados (Ex: régua de 50 cm, régua de madeira, borrifador de água, peneira, desempenadeira, etc.). O importante deste kit, além da maior variedade, é a maior quantidade do material, principalmente do pó xadrez, dos itens para mobiliar o caixão de areia (notadamente as árvores) e do lisolene, bem como das canetas para preenchê-lo.

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2019.10.01 21:39 luizahelenita Coisas Rápidas que Você Deve Saber Sobre Ganhar Seguidores No Instagram.

Coisas Rápidas que Você Deve Saber Sobre Ganhar Seguidores No Instagram.
Conheça a automação Instagram que faz você ganhar seguidores no Instagram de forma real e segmentada. Confira esse artigo.
Se você é cantor, você sabe que é difícil passar por cima de algumas dificuldades. Principalmente quando damos de frente com aquela velha e sofrida fase de não vender nada…
Sua empresa possui recursos de imagem e vídeo com capacidade de aumentar seu alcance digital? Se a reposta for sim, saiba que o Instagram é um dos principais meios para sua estratégia de marketing digital. Isso porque ela é uma das mídias sociais que mais cresceu nos últimos anos, alcançando números incríveis:
  • Mais de 1 bilhão de usuários por mês;
  • Mais de 100 milhões de publicações por dia;
  • Mais de 4 bilhões de likes por dia;
  • Mais de 500 milhões e usando os Stories;
  • E mais de 25 milhões de marcas.
Todas as estatísticas acima comprovam que o público consome muito conteúdo nessa rede social. Contudo as empresas, sabendo disso, já elaboram estratégias nelas. Consequentemente, quem deseja se destacar, precisará adquirir mais seguidores qualificados, isto é, que acompanham e interagem com sua marca.

Escute os que estão a mais tempo no assunto sobre Ganhar seguidores no Instagram.

Eu estou muito feliz por ter conseguido minha meta de aumentar o engajamento no Instagram depois que acreditei que esse automação Instagram valia realmente a pena…
No artigo de hoje, vamos falar EXCLUSIVAMENTE sobre as vantagens de ser um profissional da área de Ganhar seguidores no Instagram. Prepare-se, pois Segredos imperdíveis valiosas estão prestes a serem lidas pelos seus olhos de cantor faminto por boas informações sobre esse assunto!
Por isso, não importa como você está atualmente sendo cantor em busca de aumentar o engajamento no Instagram. Continue agindo em busca de mais conhecimentos sobre Ganhar seguidores no Instagram. Saiba que o Um artigo de qualidade sobre automação Instagram pode ser o primeiro passo para ajudar no seu objetivo!

LIVES

Todo profissional que trabalha com marketing digital precisa estar disposto a aparecer ao vivo. Sua audiência gosta e, portanto, aumenta a relevância do seu perfil!
Durante a live, você pode pedir que as pessoas compartilhem para chamar seus amigos. Acredite, se o seu conteúdo for bom, elas vão compartilhar, sim! O próprio Instagram vai identificar a atividade da conta e o algoritmo aumenta o alcance orgânico do seu perfil.
As lives podem transformar seu nome em autoridade do seu segmento de forma mais rápida. Já diz o ditado: quem sabe, faz ao vivo! Certo?

7. FAÇA POSTS EMOCIONAIS

Sabe aquele post que parece ter sido feito especialmente para você? Posts emocionais geram identificação imediata e geram a tão pretendida conexão emocional que faz a pessoa virar realmente um seguidor e voltar sempre no seu perfil.
Parece até um milagre! Mas, na verdade, é apenas o resultado que sistemas para divulgar perfil estão atingindo com essas dicas que vou te apresentar neste artigo.
Neste artigo, estamos falando que Ganhar seguidores no Instagram pode ajudar de verdade cada cantor que está procurando incessantemente por aumentar o engajamento no Instagram, mas está se vê afundando num abismo que não vender nada causa.
Ganhar seguidores no Instagram é incrível. Se você faz parte desse mundo de sistemas para divulgar perfil, prepare-se para viver os melhores dias de sua vida. Siga sistemas para divulgar perfil profissionais, que agem com seriedade. Você não irá se arrepender de aprender e seguir os Segredos imperdíveis.

AUTOMAÇÃO INSTAGRAM

A automação do Instagram acontece quando você usa um software específico para tornar diversas tarefas automáticas no Instagram. Como o Robô do Insta, por exemplo. Trata-se de um sistema simples e eficiente, um robô que simula o comportamento humano e que funciona totalmente online, podendo ser acessada facilmente pelo celular, tablet ou computador, que vai interagir automaticamente com potenciais clientes, atraindo seguidores que realmente estejam interessados no seu negócio.
Muitas pessoas tem a ideia que a automação é algo errado, que o perfil da rede social será identificada como um spam e terá a conta bloqueada, porém, a ferramenta correta de automação para Instagram, será a melhor solução para quem quer aumentar o alcance do conteúdo produzido na rede social, aumentando a entrega e consequentemente, gerando resultados, conectando o perfil com potenciais clientes.
A atualização de um perfil no Instagram para uma estratégia eficiente envolve algumas ações que são feitas de maneira manual quando não se usa automação, como por exemplo: Seguir usuários que estejam seguindo um perfil semelhante ao seu, ou quem segue determinadas hashtags que estão relacionadas ao seu nicho, ou enviar mensagens diretas para seguir o seu perfil, curtir postagens de usuários com perfil de interesse semelhante ao do conteúdo que você publica. Imagine ter a possibilidade de automatizar todas essas atividades? Com a automação no Instagram isso é possível.

SEGMENTAÇÃO…

Com o uso de uma ferramenta para automação no Instagram é possível deixar uma postagem agendada, programar uma mensagem automática de boas-vindas, configurar ações automáticas como seguir e curtir. Porém, para que as ações automatizadas gerem resultados efetivos, é essencial que o perfil comercial ou pessoal sejam configuradas corretamente na ferramenta utilizada.
No Robô do Insta, por exemplo, é possível fazer uma segmentação bem detalhada para encontrar novos seguidores, com ações como: seguir perfis baseando-se em perfis semelhantes, localização e hashtags, seguindo pessoas reais que podem estar interessadas no seu perfil. Com a função de interação automática, o robô pode curtir e comentar as postagens relevantes para o seu negócio e ainda não precisa ficar preocupado em fazer as postagens uma a uma. É só agendar que o robô posta de maneira automática.

Quer saber mais sobre Automação Instagram?

CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS!
Blog Estratégia 10k.

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2019.08.20 01:17 paralegalweb Abrir empresa EIRELI

Abrir uma empresa EIRELI

Vamos aprender como abrir uma empresa EIRELI. Devido ao Art. 980A do Código Civil — Lei 10406/02 de 10 de Janeiro de 2002 “A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País.”
Com base nesse paragrafo podemos constar que abrir uma empresa EIRELI é necessário, entretanto, ter alguns cuidados. Conforme foi descrito no artigo, somente um indivíduo pode abrir uma empresa EIRELI.
Uma Empresa Individual de Responsabilidade Limita, ou como chamamos, EIRELI, é um tipo empresarial que é estabelecido por apenas um sócio. Dessa forma, é proibido qualquer tipo de sociedade quando se pensa em abrir uma empresa EIRELI.

Abrir uma empresa EIRELI — Capital Social

Conforme foi explicado no código civil, é preciso a declaração do capital social de no mínimo 100 salários mínimos. Esse valor pode ser representado com uma quantia em dinheiro, ou em bens de espécie.
Atualmente tipo de empresa EIRELI é mais novo, por isso ainda existem algumas dúvidas referente a construção do contrato e do capital social.
Pensando nisso a ParaLegalWeb desenvolveu esse artigo para explicar melhor sobre abrir empresa EIRELI e como você vai conseguir definir um capital social de maneira certa. Assim, dessa forma, sem passar por nenhum problema depois com o governo.
Como vimos antes, o capital social precisa representar a quantia de 100 vezes o valor do salário mínimo.
No momento da construção desse artigo, o valor do salário mínimo no Brasil é de R$ 954,00. Sendo assim, o valor total do capital social deve ser de R$95.400,00.
Esse limite mínimo se dá pelo fato de que uma empresa EIRELI é uma empresa limitada, que em tese, no caso de falência, a responsabilidade do proprietário é limitada ao montante do capital social integralizado.
No momento de abrir uma empresa EIRELI, o valor referente ao capital social deve ser integralizado no registro e realizado pela Junta Comercial do seu estado. Dessa forma, o valor do capital social não pode ser parcelado, visto que o valor deve ser integralizado totalmente.
Isso ocorre diferentemente de uma empresa de sociedade limitada, em que o valor do capital social pode ser divido e integralizado parceladamente.
Uma forma de definir esse valor, visto que o futuro empresário não tenha essa quantia no momento do registro, é de descrever seus bens no ato constitutivo da empresa, registrado pela junta comercial.

Comprovação do capital social

Após o tramite de registro da empresa EIRELI, em um período de até 30 dias a aprovação do processo, será necessário realizar o depósito bancário do capital social integralizado.
Esse depósito deverá ser feito em uma conta aberta no nome da empresa e não poderá ser retirado em seguida. Isso acontece, pois servirá como uma espécie de garantia para futuros empregados, ou fornecedores, que forem trabalhar come essa empresa.
Caso o empresário não tenha o valor total em dinheiro, poderá utilizar da integralização de bens. Para isso, é necessário criar uma lista com descrição, data de aquisição, tipo, modelo e valor de mercado de bem descrito no capital social.
Para ter valor legal, esse documento necessita do registro juntamente com o ato constitutivo.
É muito importante se atentar a esse detalhe, pois a não confirmação do capital social acarretará em crime de falsificação de documentos e ficam sujeitos a pena de multa, ou até mesmo reclusão.
Por esse motivo é muito importante que você tenha total conhecimento sobre como abrir uma empresa EIRELI e suas particularidades.

Requisitos e impedimentos para abrir uma empresa EIRELI

Para abrir uma empresa EIRELI é necessário estar de acordo com alguns requisitos. Para abrir uma empresa EIRELI não exige muitos requisitos, o principal fator é ser maior de idade.

Capacidade para ser titular de uma empresa EIRELI

É exigido que, para abrir uma empresa EIRELI o proprietário seja maior de 18 anos, podendo ser brasileiro ou estrangeiro.
Para menores de 16 anos, é necessário a emancipação, podendo essa ser comprovado por meio de:

Impedimentos para abrir uma empresa EIRELI

Pessoas jurídicas estão impedidas de abrir uma empresa EIRELI, visto que, uma empresa EIRELI é uma empresa individual, de uma pessoa individual.
Assim também conta como impedimento para abrir uma empresa EIRELI pessoas impedidas por norma constitucional ou por lei especial.
É importante também considerar algumas situações em que uma pessoa não pode ser administradora de uma empresa EIRELI.

Impedimentos para administrador EIRELI

Existem vários impedimentos para uma pessoa ser administrar EIREILI, listamos alguns importantes. Não pode ser administrador de EIRELI uma pessoa:

Características de uma empresa EIRELI

É importante você conhecer todas as características dessa modalidade antes de abrir uma empresa EIRELI. Para isso separamos algumas características importantes, elas são:

Diferenças entre Eireli x EI x MEI x Sociedade Limitada

Nesse artigo, até o momento, passamos todas as características de uma EIRELI e quais os requerimentos e impedimentos para abrir uma empresa EIRELI.
Nesse momento vamos abordar todas as diferenças entre esse regime jurídico de outros que já são mais conhecidos por todos.

Eireli

É importante relembrar que a Empresa Individual de Responsabilidade Limitada é formada por uma única pessoa e não é permitido ter um sócio.
Para abrir uma empresa EIRELI, você precisará investir um capital social no valor de 100x o salário mínimo. Essa quantia aparece no ato constitutivo, que representa o contrato social para esse tipo de negócio.
Esse valor precisa ser integralizado, isso significa que, deve se constituir o patrimônio da empresa na forma de dinheiro ou em bens.
Vamos agora entender um pouco sobre uma empresa de regime jurídico EI.

EI

O único paralelo com a Eireli é que os dois regimes são constituídos por uma única pessoa, não sendo possível ter um sócio. Essa é a única paridade entre uma Eireli e uma Ei.
Diferente do Eireli, uma empresa EI não exige capital social mínimo. Dessa forma um empresário individual não necessita integralizar o valor do capital social no ato do cadastro.
Da mesma forma que pode ser uma vantagem abrir uma empresa Ei sem aporte financeiro. Pois, dessa forma, todas as dívidas contraídas pela empresa serão cobradas da pessoa física.
Caso uma empresa Ei entre em processo de falência, você irá continuar respondendo por essas dividas, só que agora como pessoa física.
Claro que isso só irá acontecer se o empresário quebrar. Se ele for um bom gestor e estiver em dia com todos os impostos e obrigações do seu negócio, não irá sofrer desse mal.
Um empresário individual também poderá se enquadrar como micro ou pequena empresa, e também aderir ao Simples Nacional. Isso se a atividade desenvolvida não for impeditiva ao regime tributário.
Uma outra forma de se configurar com um empresário individual é por forma de um Microempreendedor Individual.

MEI

Microempreendedor Individual é o regime jurídico que está mais em alta no mercado atualmente. Hoje já são mais de 7 milhões de MEIs formalizados.
Existem algumas semelhanças entre um MEI para uma Eireli, ou um EI.
Da mesma forma como os outros regimes, um MEI é um empresário individual, ou seja, não pode haver sócios.
Um MEI também irá participar do Simples Nacional, no caso desse regime, a adesão é obrigatória e o regime é adaptado para esse tipo de regime, que é chamado de SIMEI.
O SIMEI tem como característica a isenção de impostos federais, dessa forma ele irá pagar menos impostos comparados aos outros regimes.
Por outro lado, o faturamento de uma empresa MEI não pode ultrapassar o valor de R$81 mil reais em receitas brutas no ano. Caso a empresa ultrapasse esse valor, ele será desenquadrado e se tornara uma Microempresa e deverá escolher entre tornar-se uma empresa EI ou uma empresa EIRELI.
Uma grande característica de empresários que estão cadastrados nesse regime não poderá participar de nenhum outro tipo de empresa. Mesmo não sendo o proprietário, é contra a lei entrar como um sócio, ou ter algum tipo de participação em qualquer outra empresa.
Diferente de uma Eireli, ele também se assemelha a uma Ei, que não exige capital social mínimo.

Sociedade Limitada

Uma grande diferença para quem busca abrir uma empresa EIRELI para uma sociedade limitada é a necessidade de um sócio.
Por meio do capital social, cada um dos sócios irá possuir um papel determinado e responde de maneira limitada ao capital social da empresa. Esse valor é estipulado pelo número de quotas que a pessoa possui na sociedade.
Exatamente da mesma forma que acontece em uma empresa EIRELI, os bens das pessoas físicas estão preservados. Dessa maneira, todas as dividias contraídas da empresa não podem ser cobradas diretamente aos sócios.
Entretanto, mesmo os sócios tendo participação limitada ao valor do capital, embora exista uma pequena particularidade para uma empresa EIRELI.
Durante o desenvolvimento do contrato e do capital social, uma empresa de sociedade limitada, poderá optar por integralizar o valor montante de forma parcelada.
Dessa forma, poderá ser escolhido datas para integralização desse valor do capital social.
Como vimos antes, para abrir uma empresa EIRELI é necessário todo o aporte financeiro no momento do ato de construção do contrato.
Agora que vimos os 4 tipos de empresas e suas diferenças, podemos conferir como fazer para abrir uma uma empresa EIRELI.

Passo a passo para abrir uma empresa EIRELI

Para qualquer abertura de empresa necessita de certos processos e documentos obrigatórios. Para abrir uma empresa EIRELI é importante ver com o seu município se exige algo a mais para sua atividade.
Esse passo a passo que você irá acompanhar é um processo geral, que é de costume ser utilizado. Caso você tenha alguma dúvida sobre abrir uma empresa, é importante verificar junto à prefeitura da sua cidade quanto a alguma necessidade de licença ou liberação do seu alvará de funcionamento.
Portanto, vamos conhecer os passos que serão necessários:
  1. Consulta de viabilidade na Junta Comercial do seu estado;
  2. Decidir qual enquadramento será escolhido, poderá optar por Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP);
  3. Documentos Pessoais necessários:
  4. RG;
  5. CPF;
  6. Título de Eleitor;
  7. Última declaração de imposto de renda; e
  8. Comprovante de Residência ou comprovante diferente da residência.
  9. Acerte com o contador o código CNAE (Código Nacional de Atividades Econômicas);
  10. Escolhe entre os tipos de regime tributários:
  11. Simples Nacional;
  12. Lucro Presumido; ou
  13. Lucro Real.
  14. Elaborar o ato constitutivo a ser registrado;
  15. Encaminhar o processo de registro na Junta Comercial do seu estado;
  16. Reunir a documentação para essa etapa:
  17. Formulário de inscrição com qualificação completa;
  18. Documentos de arrecadação com comprovantes de pagamento;
  19. Ato constitutivo;
  20. Consulta de viabilidade;
  21. Cópia de documentos pessoais do empresário; e
  22. Documento Básico de Entrada (DBE).
  23. Obter o NIRE (Número de Identificação de Registro de Empresa) e o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas);
  24. Na prefeitura, providenciar o alvará de localização e funcionamento;
  25. Fazer o cadastro na Previdência Social. É necessário esse processo mesmo que não haja empregados ainda na empresa;
  26. Realizar a Inscrição Municipal, se contribuinte do ISS (Imposto Sobre Serviços); e
  27. Realizar a Inscrição Estadual, se contribuinte do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Concluindo

Nesse artigo como resultado você encontrou todas as informações para abrir uma empresa EIRELI. Vimos suas particularidades, características e finalmente entendemos o passo a passo para abrir uma empresa EIRELI.
Caso você tenha ficado com algum tipo de dúvida, fique tranquilo que a ParaLegalWeb irá ajudar você, da mesma forma você pode entrar em contato com a gente acesse nossa página de contato.
Este artigo foi visto primeiro em: abrir empresa EIRELI — Paralegalweb
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2019.06.05 06:04 ssantorini 5 armadilhas retóricas usadas pela esquerda na atualidade (2019).

Muita coisa mudou no ambiente político de 2010 para cá. Muitas frases e termos comuns em 2014 hoje já não se vê mais (Ex: coxinha). A esquerda em 2019 fez um revamp profundo em sua retórica e na forma de atuar da militância. Vejamos algumas de suas principais armas retóricas usadas na atualidade (2019):

1- A política está muito polarizada. Essa coisa de esquerda versus direita já deu/está ultrapassada.

Causa que origina o seu uso: A perda de prestígio e apoio popular da esquerda. É uma tentativa de se distanciar do termo e da pecha de esquerdista.
O que se deseja com seu uso: O militante quer "limpar" o seu passado e começar do zero, apresentando as mesmas idéias esquerdosas de sempre, porém de forma mais gradual e cautelosa, sob outras nomenclaturas (Ex: "progressista"). Ele sabe que não tem argumentos para defender a esquerda de forma satisfatória, como ele sempre fazia, pois o acúmulo de evidências factuais, constrangimentos e ressentimentos contra a esquerda é alto, então ele prefere fugir da pecha e evitar a conversa. Uma parte deles abandonou oficialmente o esquerdismo e se declarou isentona, mas continua moralmente ligado e solidário à esquerda.
Por que está errada? A polarização foi criada e alimentada pela própria esquerda durante décadas a fio. Ricos contra pobres, brancos contra negros, nordestinos contra sulistas, mulheres contra homens, esquerdistas contra "fascistas"... tudo isso foi alimentado pela esquerda por anos e anos, porém o feitiço virou contra o feiticeiro e eles acabaram se tornando vítimas do próprio veneno, por isso estão pedindo "arrego" e por isso o seu discurso é hipócrita. Eles devem sim arcar com as consequências de suas próprias escolhas e idéias.

2- A Guerra Fria/comunismo já acabou há 30 anos. Vocês ficam vendo comunistas debaixo da cama!

Causa que origina o seu uso: o fracasso de todas as experiências comunistas, inclusive as mais recentes que eles apoiaram (Venezuela), além da falha da esquerda latino-americana em manter a hegemonia. É uma forma de negar a existência do socialismo radical, para fins estratégicos (dificultar sua identificação e combate). É uma espécie de retirada tática.
O que se deseja com seu uso: desarmar as críticas ao socialismo e aos socialistas que o apóiam, negando a existência do próprio objeto da crítica, pois entendem que o momento é adverso para defenderem o mesmo. É idêntico ao que foi feito com o Foro de São Paulo e o Kit Gay do governo Dilma.
Por que está errada? O socialismo é uma ameaça real, pois diversos partidos brasileiros deram apoio direto e dinheiro para apoiarem esses regimes, principalmente o regime venezuelano aqui do nosso lado. TODOS eles flertam com o socialismo e buscam trazer gradualmente features de lá para o país (ex: trabalho servil, controle da imprensa, controle da economia, estatismo pesado, etc). O Brasil arriscou prestígio diplomático para apoiar um assassino comunista e uma república islâmica, tudo isso em nome da ideologia. Além disso, se a Guerra Fria acabou há 30 anos, a Segunda Guerra acabou há 70, o que não os impede de verem fascistas e nazistas em todo lugar!

3- O governo Bolsonaro fica no twitter o dia todo ao invés de trabalhar. Fica mitando e atacando a esquerda, deixando as coisas mais importantes sem cuidado e atenção.

Causa que origina o seu uso: a perda da hegemonia e do discurso governamental pela esquerda.
O que se deseja com o seu uso: é apenas uma defesa contra as críticas do governo
Por que está errada: o poder executivo vem trabalhado muito e tem bastante mudança sendo implementada em diversas áreas, vários PL, PECs e MPs já enviados aguardando votação. Participar do twitter não é antítese de "trabalhar", pois existem assessores e twitter não é só "diversão", é parte do trabalho também. É uma tentativa boba de jogar com a idéia de que redes sociais servem só pra passar o tempo e não para trabalho. Além disso, a própria esquerda gosta de amplificar picuinhas sem relevância (ex: o azul e rosa de Damares) enquanto projetos importantes estão sendo discutidos.

4- A prática do concern trolling.

O que é? É um esquerdista se identificar como direitista ou eleitor do Bolsonaro para atacar a própria direita ou o governo de maneira disfarçada, ou defender a esquerda.
Causa que origina o seu uso: a mesma do item 1: perda de prestígio da esquerda e de seu discurso.
O que se deseja com o seu uso: tentar vender idéias esquerdosas como se fossem algo "neutro" a apoiado por todos, até mesmo por direitistas. Manter os direitistas ocupados caçando o próprio rabo, debatendo picuinhas de menor relevância ou discussões já superadas, para evitar que as discussões mais relevantes avancem. Se o direitista rebater o argumento esquerdoso do concern troll, ele irá invocar sua suposta afiliação para chamá-lo de radical ou intolerante ("pô cara, não precisa ser contra a existência de estatais de comunicação não! Eu também sou de direita! Estamos do mesmo lado!").
Por que está errada? não estaria errada se fosse usado para entrar em discussões racionais e honestas. Mas não é o caso na maioria das vezes. O objetivo é propagandístico (dizer que pessoas "de direita" também defendem coisas esquerdosas), disruptivo (fazer direitistas caçarem o próprio rabo em debates) e falacioso (usar a suposta afiliação como "autoridade" para tentar empurrar idéias esquerdosas).

5- Tentar dar carteirada de autoridade "científica" em debates políticos, baseando-se em credenciais de áreas duvidosas ou irrelevantes.

O que é? em um debate político, chega alguém que alega ser formado em "estudos de gênero", ser "especialista em segurança pública", historiador ou antropólogo, e com isso tentar impôr suas opiniões políticas como se fossem fatos "científicos" objetivos.
Causa que origina o seu uso: a degradação e politização da área de humanidades nas faculdades. Desconhecimento do indivíduo médio sobre epistemologia e sobre o que seja "ciência" de verdade.
O que se deseja com o seu uso: empurrar ideologia e politicagem como se fossem "ciência", utilizando-se do prestígio das ciências de verdade.
Por que está errada? Uma discussão sobre epistemologia e metodologia científica é longa demais para eu expôr aqui, mas resumindo a história toda: a área de humanidades não é "ciência" nos mesmos termos que Física, Química, Biologia ou engenharias, pois são pouco objetivas e muito dependentes do "prestígio" pessoal do pesquisador. Juntando esse fato com a politização absurda e as idéias pós-modernistas, relativistas e anti-científicas que notoriamente empesteiam a área, torna-se simplesmente errado tomar a palavra de um desses "pesquisadores" como autoridade. Se ele quiser de verdade defender algo, terá que mostrar dados factuais e números confirmados para que os próprios ouvintes tirem suas conclusões (que geralmente são várias a depender da ideologia).
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2019.05.08 23:49 ebaroni83 O Decreto de Bolsonaro que já está em vigor e permite PORTE de arma de fogo para jornalistas, caminhoneiros, motoristas, advogados, servidores públicos (de conselho tutelar até agências reguladoras) tem um "pulo do gato" que vai fazer a esquerda surtar, e a culpa é do Lula.

Lei nº 10.826 de 2003:
Art. 6º - É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:
I – os integrantes das Forças Armadas;
II - os integrantes de órgãos referidos nos incisos I, II, III, IV e V do caput do art. 144 da Constituição Federal e os da Força Nacionalde Segurança Pública (FNSP);
III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei;
IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 50.000 (cinqüenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em serviço;
V – os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
VI – os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no art. 52, XIII, da Constituição Federal;
VII – os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias;
VIII – as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas, nos termos desta Lei;
IX – para os integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a legislação ambiental.
X - integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário.
XI - os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da Constituição Federal e os Ministérios Públicos da União e dos Estados, para uso exclusivo de servidores de seus quadros pessoais que efetivamente estejam no exercício de funções de segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP.
Art. 10. A autorização para o porte de arma de fogo de uso permitido, em todo o território nacional, é de competência da Polícia Federal e somente será concedida após autorização do Sinarm.
§ 1º A autorização prevista neste artigo poderá ser concedida com eficácia temporária e territorial limitada, nos termos de atos regulamentares, e dependerá de o requerente:
I – demonstrar a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física;
II – atender às exigências previstas no art. 4º desta Lei;
III – apresentar documentação de propriedade de arma de fogo, bem como o seu devido registro no órgão competente.

O problema já começa com o Art. 10 não fazendo referência a vedação imposta pelo Art. 6º (quem pode portar uma arma), mas impõe no item II que as exigências do Art. 4º tem que ser cumpridas. (esse artigo fala sobre pré-requisitos para comprar uma arma).
Já dá pra ver que essa Lei foi escrita porcamente pelo Congresso Nacional à época (2003). Era o início do governo do PT, desarmar a população foi o primeiro "grande ato" dos PTistas e base governista deles estava ainda aprendendo a escrever uma Lei, e como todo bom esquerdista, fizeram o trabalho *nas coxas*.

Segue agora o trecho polêmico do Decreto do Bolsonaro: (Lembrando que nada na Lei mal-escrita está sendo alterado)

DECRETO Nº 9.785, DE 7 DE MAIO DE 2019

Art. 20. O porte de arma de fogo, expedido pela Polícia Federal, é pessoal, intransferível, terá validade no território nacional e garantirá o direito de portar consigo qualquer arma de fogo, acessório ou munição do acervo do interessado com registro válido no Sinarm ou no Sigma, conforme o caso, por meio da apresentação do documento de identificação do portador.
[....]
§ 2º O porte de arma de fogo de uso permitido é deferido às pessoas que cumprirem os requisitos previstos no § 1º do art. 10 da Lei nº 10.826, de 2003.
§ 3º Considera-se cumprido o requisito previsto no inciso I do § 1º do art. 10 da Lei nº 10.826, de 2003, quando o requerente for:
I - instrutor de tiro ou armeiro credenciado pela Polícia Federal;
II - colecionador ou caçador com Certificado de Registro de Arma de Fogo expedido pelo Comando do Exército;
III - agente público, inclusive inativo:
a) da área de segurança pública;
b) da Agência Brasileira de Inteligência;
c) da administração penitenciária;
d) do sistema socioeducativo, desde que lotado nas unidades de internação de que trata o inciso VI do caput do art. 112 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente; e
e) que exerça atividade com poder de polícia administrativa ou de correição em caráter permanente;
f) dos órgãos policiais das assembleias legislativas dos Estados e da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
g) detentor de mandato eletivo nos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando no exercício do mandato;
h) que exerça a profissão de advogado; e
i) que exerça a profissão de oficial de justiça;
III - proprietário de estabelecimento que comercialize armas de fogo ou de escolas de tiro; ou
IV - dirigente de clubes de tiro;
V - residente em área rural;
VI - profissional da imprensa que atue na cobertura policial;
VII - conselheiro tutelar;
VIII - agente de trânsito;
IX - motoristas de empresas e transportadores autônomos de cargas; e
XI - funcionários de empresas de segurança privada e de transporte de valores.

É bastante claro que o Decreto está aumentando significativamente as categorias profissionais que podem ter PORTE de arma. Isenta também que o cidadão destas categorias profissionais tenha que comprovar "efetiva necessidade". (Isso já foi usado para a POSSE de arma em janeiro de 2019 e ninguém reclamou)

Aaaain mais incluir essa galera toda pra ter PORTE de arma fere o Art 6º da Lei do Estatuto do Desarmamento, Bolsonaro não pode ir contra a Lei editando um Decreto (essa é a narrativa sendo propagada por "juristas" consultados pelo , g1, folha, estadão etc), , o PSOL já pediu pro STF declarar o decreto inconstitucional, biriri bororó.....

Pois bem... Vamos ver o Decreto que o Lula editou para regulamentar a Lei do Estatuto do Desarmamento:

DECRETO Nº 5.123, DE 1º DE JULHO DE 2004
Art. 34. Os órgãos, instituições e corporações mencionados nos incisos I, II, III, V, VI, VII e X do caput do art. 6º da Lei nº 10.826, de 2003, estabelecerão, em normativos internos, os procedimentos relativos às condições para a utilização das armas de fogo de sua propriedade, ainda que fora do serviço.
[...]
§ 5º O porte de que tratam os incisos V, VI e X do caput do art. 6o da Lei no 10.826, de 2003, e aquele previsto em lei própria, na forma do caput do mencionado artigo, serão concedidos, exclusivamente, para defesa pessoal, sendo vedado aos seus respectivos titulares o porte ostensivo da arma de fogo. (Incluído pelo Decreto nº 6.715, de 2008).
§ 6º A vedação prevista no parágrafo 5º não se aplica aos servidores designados para execução da atividade fiscalizatória do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes. (Incluído pelo Decreto nº 6.817, de 2009)

Opa!!! Em 2009, Lula editou um decreto para incluir o §6º acima , que concede porte de arma para servidores do IBAMA. Mas..... Servidores do IBAMA não estão na lista de "cargos" que poderiam ter porte de arma, conforme Art. 6º da Lei nº 10.826 de 2003.

**Ou seja, o governo Lula, através de um Decreto**, o Decreto 6817 de 07 de abril de 2009 (exatamente 10 anos e 1 mês antes do decreto de Bolsonaro de 07 de maio de 2019), **ampliou o número de categorias profissionais que poderiam ter porte de arma** a despeito do Art. 6º da Lei do Desarmamento.

Se isso está vigorando há mais de 10 anos e ninguém reclamou, nem STF nem partido político acharam inconstitucional o ato do Lula, então por que é que os "juristas" afirmam que o Decreto de Bolsonaro é inconstitucional e partidos políticos querem que o STF suspenda o Decreto de 07 de maio de 2019?!

Afinal, o decreto de Bolsonaro faz a mesma coisa: amplia as categorias que podem ter porte de arma via Decreto.

Se o Lula pode decretar algo neste teor, então o Bolsonaro pode também, não é mesmo? Afinal, ainda estamos no mesmo Estado Democrático de Direito.

Inclusive existe um parecer da AGU que afirma haver total legalidade no ato do Lula para armar fiscais do IBAMA.

---

Vale lembrar que o Bolsonaro foi multado por um fiscal do IBAMA armado enquanto pescava no RJ. Ele chegou a propor um projeto de Lei para desarmar fiscais do IBAMA, mas que ele mesmo depois pediu para ser arquivado.

Apesar de não ser nominalmente citado no Decreto atual, servidores do IBAMA devem continuar podendo tesolicitar porte de arma pois uma das categorias de servidores abrangidos é daqueles que "exercem poder de polícia administrativa" (que podem fiscalizar e multar), e servidores do IBAMA de fato exercem poder de polícia administrativa no escopo da preservação ambiental.

É galerinha. O mundo dá voltas.
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2019.03.15 16:47 NatanaelAntonioli Sobre Deep Web, Dark Web, camadas, chans e relacionados

Com os atentados em Suzano e na Nova Zelândia e as relações que surgiram entre esses atentados, chans e Deep Web, resolvi fazer um post pra esclarecer esse tema. Vai ser um texto considerável.
Primeiro, você certamente já viu aquela imagem apresentando um iceberg, com a parte de cima sendo a superfície da internet, a parte intermediária, mas submersa, sendo a Deep Web e a parte mais a fundo sendo a Dark Net, ou Dark Web. Alguns vão além, e colocam uma “Mariana’s Web” lá em baixo.
Qualquer imagem desse gênero, assim como os termos “Deep”, “Surface” e “Mariana’s”, além da noção de camadas, fazem alusão à noção de profundidade. Essa noção costuma seguir os seguintes padrões:
  1. Quanto mais difícil for de acessar um conteúdo, mais profundo ele deve estar.
  2. Quanto mais perturbador e criminoso for um conteúdo, mais profundo ele deve estar.
Ambos os padrões são alegorias.
O padrão 1 é errôneo pelo simples fato de que dificuldade é algo relativo: ao passo que eu tenho uma enorme dificuldade em realizar dada tarefa (por falta de prática, falta de conhecimento, falta de vontade), você pode fazê-la de olhos fechados. O mesmo vale pra acessar conteúdo na internet: possuindo o devido conhecimento (que não é complicado de se adquirir, basta ver minha playlist no canal) e as chaves (quando elas existem) é extremamente simples acessar um site que estaria na “Dark Web” por esse padrão.
O padrão 2 pode fazer algum sentido, mas ele implica em misturar todo tipo de conteúdo. Já vi vídeos de filhotes de gatinhos na “Deep Web”, e já vi imagens de pedo-necrofilia indescritíveis em fóruns da “Surface”. Adotar esse padrão implicaria em misturar todos esses conteúdos.
Na prática, não existe nenhuma noção de profundidade. O que existem são sistemas distintos, com funções e recursos distintos, que se utilizam da World Wide Web, a rede mundial de computadores, para se manterem. Por questões históricas, ainda utilizo os termos “Surface” e “Deep Web” pra me referir a esses conjuntos de sistemas, e prefiro não utilizar o termo “Dark Net/Dark Web” e “Mariana’s Web” por razões que vou explicar adiante.
Existem varias convenções, mas as mais científicas – e a que eu adoto – preferem considerar “Deep Web” como todo tipo de conteúdo que é hospedado garantindo dois pilares:
  1. O anonimato
  2. A descentralização
O primeiro deles garante que os usuários que postem dados conteúdos não sejam identificados, e o segundo garante que nenhum indivíduo ou corporação seja capaz de tirar tais conteúdos do ar.
Tudo que não se enquadra nessas duas categorias faz parte da “Surface”. Isso inclui sistemas que não fornecem nenhuma dessas duas categorias (Facebook, Gmail, YouTube, Netflix) e sistemas que fornecem apenas uma delas (como os Torrents).
Assim, a “Deep Web” é composta por um conjunto de redes distintas, tais como a Tor, Freenet, I2P, Zeronet, Hyperborya, etc, cada uma delas com formas distintas de forneces os dois pilares. Muitas vezes esses pilares são, inclusive, fornecidos por um mesmo fator.
A rede mais conhecida da “Deep Web” é a rede Onion, que é acessível pelo navegador Tor, e garante esses dois pilares por meio de um sistema de túneis, na qual uma conexão, antes de chegar ao seu destino, passa por diversas outras identidades, num processo de encapsulamento.
O anonimato e a descentralização permitem que um número imenso de atividades que necessitam desses pilares possam ser realizadas, já que necessitam desses pilares para funcionar, possam ser realizadas. Isso inclui:
· Compartilhamento de pornografia ilegal;
· Venda de drogas, armas, documentos falsificados, dinheiro falsificado e outros produtos ilegais;
· Discussões sobre assuntos ilegais, os quais não seriam permitidos em fóruns da “Surface”;
· Denúncias contra governos autoritários e de pessoas em situações de risco;
· Vazamento de informações;
· Pirataria;
Por outro lado, não há nada que impeça que outras atividades perfeitamente legais sejam realizadas nesses ambientes, e de fato elas são. Existem milhares de sites que poderiam estar na “Surface”, mas por alguma razão (desejo de anonimato, curiosidade, etc) são hospedados na “Deep Web”.
Apesar da “Deep Web” fornecer o anonimato e a descentralização, as pessoas que a utilizam muitas vezes cometem falhas que permitem que esses pilares sejam quebrados e, portanto, que elas sejam localizadas. Normalmente, isso envolve download de arquivos sem a devida cautela, revelação de informação pessoal e cruzamento de informações. São esses fatores que permitiram que o criador da Silk Road, por exemplo, fosse descoberto e preso.
E a “Dark Web/Dark Net”? Esse termo costuma ser usado pra se referir às atividades ilegais e perturbadoras realizadas na “Deep Web”. Eu prefiro não utilizar por que não há nenhum critério técnico que permita classificar esse conteúdo, já que existem sites sobre isso espalhados em tudo quanto é lugar.
A “Mariana’s Web” normalmente é referido como a parte mais difícil e oculta da “Deep Web”. Mais uma vez, dificuldade é relativa: um site bem programado e legal na surface pode conter uma área restrita bem mais difícil de acessar do que um site na “Deep Web”. Além disso, simplesmente não há uma rede da “Deep Web” que forneça tal nível de dificuldade. O vídeo em https://www.youtube.com/watch?v=vGZZmM35D2M explica os aspectos técnicos por trás das razões pelas quais a “Mariana’s Web” e variáveis são meras lendas urbanas.
Em última instância, isso também significa que a “Deep Web” não é nenhum tipo de entidade sobrenatural que contém informações privilegiadas como a localização de Atlântida, a cura do câncer, arquivos de alienígenas e variáveis. Isso também é explicado nesse vídeo, da na playlist em https://www.youtube.com/playlist?list=PLIevgZoV2cAj-Y7jVbeDxMkNn6_GIA1dU aborda vários desses temas.
E sobre os chans? Chans são fóruns na internet que se exibem na forma de Imageboards, as quais possuem um design e funções distintas dos tradicionais fóruns com tópicos e categorias. Normalmente, chans permitem que usuários postem sem identificação pessoal na “Surface”, mas ainda assim com endereços de IP expostos, ou com anonimato verdadeiro na “Deep Web”, assim como todos os sites lá hospedados.
Existem centenas de chans, e vários deles são tão inofensivos quanto qualquer outra comunidade. Porém, alguns deles são compostos de criminosos que se articulam em milícias virtuais e orquestram crimes contra determinados alvos, tanto na esfera virtual quanto física.
O responsável pelo atentado na Nova Zelândia publicou seu manifesto e anunciou seu perfil no Facebook no 8chan, um chan presente na “Surface” e, portanto, sem nenhum tipo de anonimato real.
Quanto ao caso de Suzano, a história é um pouco mais complexa. O Dogolachan é um desses chans que entram na segunda categoria (atualmente ele é, inclusive, hospedado na “Deep Web”), e eles possuem um histórico extenso relacionado a crimes, tendo, inclusive, membros que já foram presos (uma rápida pesquisa no Google irá revelar tais informações). Antes do atentado, houve uma postagem contendo uma montagem dos dois assassinos de Columbine com rostos de cachorro (que é o “mascote” do Dogolachan). Postagens do tipo são comuns lá, então isso não é suficiente para apontar uma correlação. Os membros mais assíduos afirmam que existe uma área secreta no fórum, na qual teria ocorrido uma postagem agradecendo aos “mentores” e informando que um “ato” se realizaria no futuro, e que uma “música” – que muitos apontaram como sendo a música Pumped Up Kicks, que faz referência ao massacre de Columbine – sinalizaria o “ato”. Não há provas de que essa postagem realmente ocorreu.
Até o momento, a polícia informou que não existem evidências de que os assassinos de Suzano tenham acessado a rede Onion. Considerando que os assassinos não possuíam tamanha proficiência em informática, provavelmente existiram rastros, nos dispositivos dos assassinos, de que os programas para acessar a rede Onion haviam sido instalados lá. Porém, a resposta definitiva para esse caso demanda maiores investigações, e fica por conta da polícia.
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2018.12.14 13:47 HIREDDITWORLD Como organizar encontros?

Para que os encontros possam ter uma grande probabilidade de acontecer, aqui fica um plano de criação e de gestão dos acontecimentos até ao dia da realização de um encontro.
A base de criação de uma publicação de anúncio de um encontro é a seguinte:
Título: - Cidade, Data, Hora
Corpo: - Inclusão da Data e Hora de realização do encontro. Sem isto, os encontros nunca serão realizados, sofrendo do problema de serem contantemente adiados e remarcados. - Estabelecimento de vias para confirmação de presenças. Essa confirmação deve ser feita, idealmente sempre e especialmente em primeiras confirmações, por via dos comentários na publicação. Para vezes seguintes, essa confirmação pode ser feita em privado - no entanto, a repsonsabilidade de aparecer será naturalmente maior. Para confirmar presenças, os comentários não podem conter palavras como "talvez", "confirmo mais tarde" ou "vou tentar aparecer". - Disponibilização de contacto para dúvidas. As mensagens privadas são adequadas para isto. - Lista de confirmações. A publicação deverá contê-la, sempre. Isto para preservar os nomes de quem aparece mais vezes, para os encontros terem maior força e adesão no futuro.
Nota: Em casos de x-post para outros subreddits, a confirmação da presença deve ser feita na publicação original, neste subreddit. Para que a organização do evento seja mais fácil de fazer.
Chegando ao dia anterior do evento, e por motivos de segurança pessoal, o organizador deverá enviar uma mensagem privada a indicar o local onde os participantes encontrar-se-ão. Um óptimo local será um sítio central e movimentado. Não só será conveniente para o maior número de pessoas possível como também a segurança pessoal do organizador ficará mais bem assegurada. É também conveniente o organizador escrever uma descrição de si que permita a sua identificação, em público. Os exemplos vão de como se vai vestido até características físicas que possam ser reconhecidas ao longe.
Chegado ao dia, é necessário que o organizador esteja à hora combinada. É difícil, mas dá confiança aos participantes que confirmaram a sua vinda. À medida que os participantes vão tendo com o organizador, deverão indicar o seu nome de utilizador do Reddit, mostrar a mensagem que receberam ao organizador ou outro modo que permita que o organizador valide a presença (como o chat do Reddit).
Depois das pessoas estarem todas presentes, é altura de ir fazer coisas em conjunto! :) Das primeiras vezes, o programa mais infalível e seguro será o simples café e nata. No entanto, à medida em que os participantes vão tendo mais confiança entre si, qualquer coisa vale. Que não falte criatividade! :)
No final, a recompensa será um contacto mais prolongado através de um serviço de conversações. Caso o encontro tenha acontecido, o organizador terá que contactar a moderação pelo chat do Reddit, com uma imagem que prove que o encontro aconteceu. Porque é sempre bom ver mesas cheias de copos! :D
Esta publicação foi usada como base para eventos organizados num subreddit anterior e adaptada pelo tempo e acontecimentos, seguindo esta base e criando uma comunidade que, até agora, conseguiu fidelizar e criar laços entre pessoas - desde Março de 2017.
Qualquer sugestão de melhoria a esta base, por favor, deixa-a em comentário.
Um abraço, A moderação
Alterações: - Inclusão de informação sobre x-post de publicações originais deste subreddit.
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2017.08.11 21:54 feedreddit Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana
by Lee Fang via The Intercept
URL: http://ift.tt/2uO9Icf
Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.
Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.
Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.
Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.
“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, à esquerda, dentro de um carro em direção ao aeroporto, onde pegaria um voo para a Nicarágua nos arredores de San José. Domingo, 28 de junho de 2009.
Foto: Kent Gilbert/AP
Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente. Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os _think tanks_associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do _soft power_norte-americano.
Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento. A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 _think tanks_em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para _think tanks_conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um _think tank_da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um _think tank_neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
A Atlas Network conta com dezenas de _think tanks_na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.
Protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 2 de dezembro de 2015.
Photo: Eraldo Peres/AP
Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de _think tanks_de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.
O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.
O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três _think tanks_libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.
“É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.
Beltrão explica que a rede de _think tanks_está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.
Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro _think tank_da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda. Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.
Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio _think tank_fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.
Fernando Schüler.Foto:captura de tela do YouTubeUm dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro _think tank_da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda. Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar. A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.
“Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de _think tanks_libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.
Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de _think tanks_em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.
E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos _think tanks_e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de _networking_no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.
Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o _laissez-faire_e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.
Manifestantes queimam um boneco do presidente Hugo Chávez na Plaza Altamira, em protesto contra o governo.
Foto: Lonely Planet Images/Getty Images
Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os _think tanks_da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez. Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.
Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”
Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”
Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em _campi_universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.
Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um _reality show_americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de _think tanks_tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.
Um jovem líder da Cadal, um _think tank_de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.
Os _think tanks_são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.
As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.
Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.
Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.
Fonte: The Intercept
Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de _think tanks_que defendam o livre mercado”.
A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.
Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.
Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).
O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.
A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain(A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.
Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.
“Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.
O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o _think tank_conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente _think tank_libertário dos Estados Unidos.
_O filósofo e economista anglo-austríaco Friedrich Hayek com um grupo de alunos na London School of Economics, em 1948._Foto: Paul PoppePopperfoto/Getty Images
Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de _think tanks_em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.
Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”
A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.
A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.
E o _timing_não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.
Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.
Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.
Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um _think tank_nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.
Alejandro Chafuen, da Atlas Economic Research Foundation, atrás à direita, cumprimenta Rafael Alonzo, do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (CEDICE Libertad), à esquerda, enquanto o escritor peruano Mario Vargas Llosa aplaude a abertura do Fórum Liberdade e Democracia, em Caracas, no dia 28 de maio de 2009.
Foto: Ariana Cubillos/AP
_ _Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”. Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.
Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.
Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.
Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.
Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.
Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.
Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento _ex gratia_no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos _think tanks_da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de _think tanks_latino-americanos, na Jamaica.
Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar _think tanks_na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os _think tanks_libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.
“Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um _think tank_são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.
Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.
Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que _think tanks_patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por _think tanks_em todo o mundo.
Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações. A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.
Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um _think tank_da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os _think tanks_que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.
No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter _think tanks_na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.
O assessor da Casa Branca Sebastian Gorka participa de uma entrevista do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca em 9 de junho de 2017 – Washington, EUA.
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
_ _No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.
Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um _think tank_patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um _think tank_de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.
Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.
Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.
Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse
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2017.08.09 11:10 FUKTHEGUYABOVE API de identificação de produtos do supermercado de Portugal

Bom dia pessoal, eu estou à procura de uma api que dada um número de identificação de um produto o consiga identificar. Sabem de alguma coisa que exista assim para o nosso país?
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2017.04.13 16:07 1984stardusta Alienação parental

O SILOGISMO SOFÍSTICO DO ABUSO SEXUAL TRAVESTIDO EM ALIENAÇÃO PARENTAL
 Silogismo, conceito filosófico, é um modelo aristotélico de raciocínio lógico baseado na ideia de dedução. Como todos sabem, ele é composto por duas premissas e uma conclusão deduzida. Muito usado no Direito, baseia a Jurisprudência, dando sustentação à ideia de igualdade de direitos para todos. No entanto, o silogismo pode levar a um erro. Outra figura filosófica, o Sofisma, pensamento que se utiliza do raciocínio lógico dos três elementos do silogismo para induzir ao erro, a uma falsa conclusão sem perder a lógica, com a intenção de enganar. 
O calo social, pai é pai, é outro sofisma que conduz a desastres psicológicos quando ignora a diferenciação entre titularidade, hoje muito diversificada e função. É a função que é rasgada quando de um abuso sexual contra um filho ou filha. No discurso psicojurídico esta diferença é negada. E ainda, o pedófilo é um psicopata. E como tal, tem uma enorme capacidade de convencimento, é exímio manipulador. É uma pessoa acima de qualquer suspeita posto que tem uma divisão em sua mente, e gerencia com muita habilidade esta cisão, diferente dos psicóticos que são regidos por ela. Sedutor por natureza, o psicopata está sempre atento a todos os detalhes, tendo plena consciência do crime que está cometendo, mas sem sentir nenhuma culpa.
Ao contrário do que parece, não é o prazer sexual que o move para praticar o abuso. É o prazer pela Síndrome do Pequeno Poder, da dominação absoluta do outro, do desafio da prática da transgressão secreta, do êxtase de enganar a todos.
Este perfil é mais um complicador que é evitado nas avaliações destas queixas. Em lugar de examinar o pai suspeito, é feita acareação, lembrando porões, para depois afirmar, pelo uso do olhômetro, que não houve abuso porque a criança sentou no colo do pai.
Mais uma vez temos um grave Silogismo Sofístico. Claro que a criança pequena continuará a sentar no colo do pai abusador, não se pode esquecer que as práticas de abuso excitam as crianças e lhes deixam uma mistura de sensação prazerosa única, e culpa. A criança ama e obedece ao abusadopai. Portanto este olhômetro é um sofisma que vem baseando o argumento de laudos periciais, todos não protocolares, recheados de achismos e silogismos sofísticos.
 A tão aludida Alienação Parental da mãe, isto é curioso porque hoje este conceito pertence ao gênero feminino apenas, tem sentenciado a totalidade dos processos de abuso sexual intrafamiliar. E tem cometido a aberração do afastamento do convívio da criança com sua mãe. 
A perda da guarda está banalizada, num tempo em que se funda a importância do convívio compartilhado com pai e mãe. O caso da menina Joanna Cardozo Marcenal Marins é emblemático. Atendendo ao pai que alegava Alienação Parental, foi tirada a guarda da mãe, ordenado seu afastamento absoluto por 90 dias, e a menina foi assassinada pelo pai e madrasta no primeiro mês do prazo deste despacho.
 A Alienação Parental não precisa ser muito provada. Alegações verbais, pequenas manobras de autoalienação, já apontada como ponto a ser verificado com cuidado por Maria Berenice Dias em seu livro “Incesto e Alienação Parental”, fazem o argumento que pode levar a este desfecho. Esta autora chama a atenção para o uso de falsa alegação de Alienação Parental como manobra para se tornar vítima através da Alienação Auto Infligida. Mas, da alegação de abuso sexual é exigida prova de materialidade, o que destituiria este crime de sua essência, o crime às escuras. Maria Clara Sottomayor, desembargadora em Portugal, autora de vários títulos sobre Direito da Criança, contesta o conceito de Alienação Parental, que, aliás, não tem base científica. Ela compreende o período que se sucede à separação do casal como um processo de luto que tem sua própria duração de tempo, e que se desfaz, naturalmente, à medida que os dois do casal refazem suas vidas afetivas. Ela também faz uma classificação das ocorrências de Alienação Parental. Os critérios diagnósticos da S.A.P. precisam distinguir a Alienação Adaptativa da Alienação Patológica, a Alienação Justificada da Não Justificada, para evitar ignorar as causas da Alienação. Por exemplo, a Alienação Parental Justificada, quando, sob o tempo da Justiça e todos os seus prazos e recursos, um pai é nefasto para a criança, por qualquer tipo de violência com ela praticada, é uma maneira encontrada pela mãe de alertar a criança para o uso da sedução que ele faz. Vale trazer aqui o criador do conceito: Richard Gardner. Prestando trabalho voluntário na Universidade de Columbia, defendia homens acusados de violência doméstica e abuso sexual contra filhos. .Forjou o conceito e com o seu uso ele, desacreditando a criança, inverteu as posições de vítima e algoz e passou a fazer sucesso, o que lhe rendeu ganhar o título de professor convidado. Gardner pensa como pedófilo e escreve: “as atividades sexuais entre adultos e crianças são parte do repertório natural da atividade sexual humana, uma prática positiva para a procriação, porque a pedofilia estimula sexualmente a criança, torna-a muito sexualizada e a faz ansiar experiências sexuais que redundarão num aumento da procriação”, em seu livro “True and False Accusations of Child Sex Abuse”, pp. 24-25. Palavras dele. Estas e muitas outras com este mesmo teor. E este conceito, forjado por alguém que assim pensa, está consagrado e é hegemônico e dogmático entre nós. 
Gardner, idolatrado entre nós, diante do apelo de ganhar os processos destes homens violentos e estupradores dos filhos, criou pelo descrédito na criança, a inversão de posições vítima e algoz, atribuindo esta última à criança de 03, 04, 05 anos.
Excluiu a criança, desqualificando sua voz. O foco passou então a estar no pai, que vitimizou, e na mãe que demonizou. 
Combinou esta manobra sofística, em que usa o mecanismo de defesa do ego da projeção, primário, com a “terapia da ameaça” a que a mãe é submetida para engessá-la e dissuadi-la de qualquer maneira da busca de proteção e dignidade de seu filho ou filha.
 A mãe é ameaçada. Ameaça de perda da guarda, ameaça de punição financeira, ameaça de afastamento total de convívio com a criança. É incrível como operadores de Justiça executam com tanta habilidade esta terapia da ameaça em tempos em que se luta por cidadania, sem se dar conta do comportamento 
que estão tendo. E pior, como estas ameaças tem se concretizado, sem nenhum cuidado as sequelas causadas, destruindo crianças e mães.
 A terapia da ameaça faz parte de sistema repressor de controle absoluto. Está embebida da matéria prima que rege o pedófilo, o medo, a intimidação, a dominação perversa. Para avaliar o discurso e o comportamento de uma criança que revela um abuso sexual intrafamiliar, o profissional há que se capacitar especificamente, e da maneira mais adequada e qualitativa, seguindo protocolo, métodos e técnicas, com rigores das Ciências Humanas. Ocorre que, além de ser muito mais difícil de suportar do que atribuir uma prática de Alienação Parental, a capacitação faz com que o profissional entre em contato com a pior das perversões. A pedofilia é uma compulsão, repetitiva sempre, da ordem dos comportamentos sub animais. O descrédito na fala da criança é patrocinado pele ausência de capacitação técnica dos profissionais que deveriam auxiliar com esclarecimentos e indícios os processos que buscam proteção para a criança. Quando não estamos capacitados a ver e ouvir, tudo pode ser falado ou mostrado, mas não conseguimos enxergar. Neste cenário, o “melhor caminho” para esta negação de fatos horrorosos é a Cegueira Deliberada, hoje endêmica, que entra no lugar da Responsabilidade Empática. Urge buscá-la para garantir o Direito à Dignidade da Criança. A Childhood Brasil desenvolveu um método baseado em estudos científicos, a “Escuta Especial”. O cuidado com o discurso da criança, a atenção com a disposição até dos móveis na sala, a escolha da sequência de perguntas, o respeito através da ausência de afronta e dúvida, o cuidado com o profissional que toma o depoimento da criança atingido pela escuta por esta barbárie, a entrada do MP na vida da criança, são elementos fundamentais para se cumprir o Princípio do Melhor Interesse da Criança, hoje tão esquecido e contrariado. O registro audiovisual e a parede de espelho unifacial são recursos de tecnologia a favor da não revitimização por repetição infindável de oitivas, deixando à mostra a expressão corporal da criança, e tornando a oitiva viva e 
observável por todos os Operadores do processo.
 Mas a resistência ao uso destes instrumentos favoráveis à criança é enorme. É uníssona a preferência dos profissionais pelo Poder da interpretação pessoal que ignora a metodologia e a técnica científicas, e o Protocolo, uma unificação de linguagem. Em 2014, a escuta de crianças e adolescentes em situação de violência sexual, lançava diretrizes para Consolidação de uma Política Pública do Estado Brasileiro, e teve como parceiros o Tribunal de Justiça de São Paulo, a Escola Paulista de 
Magistratura, a Escola Judicial dos Servidores S.P., o C. N. J., UNICEF, o National Children’s Advocacy Center, a Secretaria de Reforma do Judiciário, a Secretaria de Direitos Humanos, o Ministério da Justiça, e a Universidade Católica de Brasília
 Tive a honra de estar lá a convite da Childhood, e testemunhar este passo qualitativo na Proteção de Crianças e Adolescentes. E o mais importante: eram desembargadores, 
juízes, promotores, defensores, advogados, comprometidos com a criança. Comprometidos. Senti-me alimentada pela esperança.
Esta instituição, a Childhood, havia instalado uma unidade, já em funcionamento em Pernambuco, com a metodologia e a técnica da melhor qualidade, inclusive com o uso de Protocolo. Mas, pouco se sabe sobre isto, não interessa aos adeptos da Doutrina 
da Alienação Parental, e a implantação de um modelo que segue um Protocolo é pouco aceito. Haja vista a instalação de Salas de Depoimento Sem Dano em todas as Comarcas do Rio Grande do Sul, e que tem um uso em torno de 10%, por resistência à pequena grande mudança, informação falada em voz baixa.
No ano passado, 2015, mas só agora divulgado, a Comissão de Eutanásia da 
Holanda concedeu autorização deste procedimento a uma mulher de pouco mais de 20 anos, fato agora divulgado. Ela tinha sido estuprada dos 05 aos 15 anos. O pedido do procedimento foi concedido após ela ter se submetido à terapia intensiva, por anos, e ter sido avaliada por uma junta médica que atestou que ela estava em plena lucidez, no controle de suas faculdades mentais. Apenas, e tão somente, ela não estava suportando mais as doenças psicológicas destas memórias.
 Não nos cabe trazer à baila aqui a eutanásia, a junta médica, ou a desistência desta jovem. Como resultado do abuso, ela sofria de estresse pós-traumático, anorexia severa, depressão crônica e alucinações. Doenças diagnosticadas como incuráveis pela junta médica em três avaliações. A dor diuturna profunda e silenciosa que desenhava seu sofrimento na deformação do corpo pela anorexia, que sentia a tristeza do holocausto subjetivo, e que alucinava retornando à cena da opressão dos abusos, foi insuportável durante toda a sua curta vida. Exatamente o que temos afirmado há anos pela experiência clínica com inúmeros sobreviventes do incesto e do abuso intrafamiliar. A dor psicológica, pela primeira vez, foi dimensionada respeitando-se os limites humanos, e foi reconhecida pelos médicos como tão insuportável quanto uma dor neoplásica de um paciente terminal que fundamenta as autorizações deste procedimento nos países em que a eutanásia é legalizada. O abuso sexual é uma tatuagem na alma de meninos e meninas. Algumas vezes, a 
violência, não pela força, mas pela crueldade ao tatuar, que o requinte da perversão adquire dimensões inimagináveis, causando uma infecção crônica nesta tatuagem que dói e sangra sem parar. Provável ter sido o caso desta sempre corajosa menina holandesa. Ursos não são estrelas!
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2016.08.27 04:54 sirblackhand [Desabafo] Esta noite fiz a minha boa ação do dia

Antes de mais, desculpem se isto parece um post do Facebook, mas como não uso vim desabafar com vocês. Além disso, ter lido aqui um post sobre um assunto semelhante há uns tempos ajudou-me a pensar no que fazer.
Cerca das 23.30h sai de casa a pé para ir a um café a uns 400m para comprar tabaco. Como moro numa rua residencial bastante calma, a essa hora é raro ver carros ou pessoas na rua. A cerca de 100m de minha casa, nas escadas da entrada de um prédio vizinho, reparo que está uma carteira de senhora em cima de um degrau. Achei estranho, parei por um segundo a olhar para os carros à volta e para as janelas, mas não vi ninguém nem luzes em alguma casa.
Segui caminho, sem tocar na carteira. Comprei tabaco, voltei para casa, e lá estava a carteira no mesmo local.
O meu pensamento foi ou a) chamar a polícia e esperar junto da carteira que eles chegassem; ou b) pegar na carteira, levá-la para casa e tentar encontrar um contacto ou identificação do dono.
Como não tinha levado o telemóvel, optei pela segunda hipótese. Quando ia para casa com a carteira na mão só pensava.. "se o dono aparecesse agora e me visse, a minha boa vontade ia ser facilmente confundida com eu a tentar roubar a carteira"..
Chegado a casa, abri a carteira e procurei algo com identificação. Não vi sequer se tinha dinheiro, não era capaz de vasculhar algo pessoal dessa forma. Só queria saber mesmo um nome ou morada ou número de tlm. E lá estavam, todo o tipo de cartões, do banco, cidadão etc etc. IPhone, chaves, ou seja, um fartote para alguém mal Intencionado.
Aí naqueles minutos seguintes enquanto esperava que alguém ligasse para aquele telemóvel, lembrei-me de um post de alguém aqui algum tempo atrás em que recomendaram deixar um papel a informar que encontraram algo e o número de contato. E assim fiz, escrevi que se encontrou uma carteira, e deixei o meu numero. E sai de novo de casa e fui colar o papel na porta do prédio vizinho.
Cerca de meia hora depois, o telemóvel toca. E era o marido da senhora a falar do papel, pedi para me dizer o nome da mulher, para ver se batia com o nome que eu tinha lido nos cartões, e pronto, em menos de 1minuto encontrei-me com eles e devolvi a carteira.
Devo dizer que a satisfação que obtive com a reação do casal ao reaver a carteira foi imensamente melhor do que qualquer recompensa monetária que pudesse ter recebido (não recebi nem ia aceitar caso tentassem), e sinceramente fez-me sentir muitíssimo bem comigo mesmo por ter essa ação, pois tenho noção do quão fácil iria ser alguém com menos educação e civismo simplesmente roubar os bens de valor e abandonar o resto. Ou ainda pior tal a quantidade de cartões pessoais que ali estavam.
Por isso, façam boas ações, não porque parece bem, mas porque farto de gente ruim está o mundo cheio. Sejam uns para os outros, porque um simples obrigado e um olhar de alívio, felicidade e gratidão vale mil vezes mais do que qualquer iPhone ou dinheiro.
Se querem dar downvotes por este texto não ser interessante para vocês, não importa e entendo. Mas é bom sentir que os meus pontos de karma real aumentaram muito esta noite.
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2015.09.05 23:19 fodaze Entrei na FCT, o que faço agora?

Em primeiro lugar parabéns por teres entrado na melhor faculdade de Portugal e quiçá da margem sul. Mas agora calma, que as tuas aulas só começam dia 21 de Setembro. Antes de começarmos aqui ficam umas cenas fixes de devias veler:
Bónus: Se spam e cringe é a tua cena, pede para entrares no grupo do Facebook da FCT

Inscrições

O primeiro passo para oficializares a tua presença nesta grande instituição é, claro, inscreveres-te na FCT. As inscrições são dias 7 a 11 de Setembro (segunda a sexta).
Se as inscrições forem como sempre foram desde que estou na FCT, o procedimento é simples. Vai cedo para a FCT e corre até ao edifício VII (é aquele que tiver mais gente acumulada e de onde vierem os gritos). Faz barulho, fala com pessoas mas arranja uma senha ASAP, porque elas acabam rápido. Se vieres de longe e chegares um bocado mais tarde, diz que vens de longe e chora um bocado, que o pessoal costuma ser porreiro.
Documentos necessários para a inscrição
Vais precisar de levar uns documentos para te inscreveres e fotocópias de outras coisas. A lista é esta:
Se te esqueceres de alguma fotocópia não entres em pânico, pois podes tirar as cópias na Duplix (ou numa cena que vende cafés da nespresso que eu nunca sei o nome).
Se tiveres a mesma sorte que eu tive, só te vais inscrever depois do almoço, por isso temos de aproveitar este dia de desbunda.

Praxes

Agora é tempo de ires ter com o teu curso para seres praxado. Se não quiseres ser praxado, vai ter com o teu curso na mesma. Fala com o pessoal e conhece pessoas, pois com sorte, se tiveres entrado para um curso com uma CoPe (Comissão de Praxe) decente, ninguém te vai censuraescurraçaignorar. Eu recomendo a praxe, pois lá conheci amigos que vão para além da faculdade, tanto caloiros como veteranos, mas a decisão é tua e ninguém tem nada a ver com isso. Se queres ser praxado vou já dar a primeira dica. Leva roupa confortável que se possa sujamolhar. Agora andam mais calminhos com as molhas, mas mais vale prevenir. Começar a faculdade a estragar a tua t-shirt preferida não é fixe. Avisa a tua CoPe de possíveis alergias e guarda bem o teu telemóvel/carteira (uma mochila é sempre fixe). Não me vou alongar mais sobre as praxes. Aproveita e trata toda a gente com respeito para que também sejas respeitado. Lê o código de praxe para que ninguém se estique e não tenhas medo de parar a praxe se exceder os limites. Invoca o Fodaze que ele vai lá e parte aquilo tudo.

Alojamento

Se fores de longe ou se simplesmente queres-te ver livre dos teus pais, precisas de uma casita, de preferencia colada à FCT para não teres de te mexer muito segunda de manhã para ires àquela teórica linda com presença obrigatória (sim, já todos passámos por isso). Tens duas hipóteses: Residência ou um quarto/apartamento.
Quanto à residência, podes ler mais sobre ela aqui. Eu só fui lá levar uns amigos meus que beberam demais e esqueceram-se do caminho por isso não te posso ajudar muito, mas esse site deve servir.
Quanto ao quarto/apartamento, a tua melhor hipótese é vires aqui. O serrado fica colado (5 minutos a pé) à FCT e praticamente só estudantes é que moram lá, por isso deve ser a melhor aposta para ti.

Transportes

Existe muita gente que não tem a sorte de viver colado à faculdade e tem de se deslocar de longe. Para esses que andam de transportes públicos vão ter de comprar uns passeszinhos mas não vai ser nada demais. Se não podes viver sem autocarro, a TST é a tua melhor amiga. O autocarro que passa à porta da Faculdade para Lisboa é o 158. Na via rápida também tens o 161 que fica a 5 minutos da FCT. Mas quando chove é um bocado chato e há carros a passar e assim. Podem ver os preços dos passes aqui. Se como eu odeiam autocarros, a vossa melhor aposta é a Fertagus. No que toca à fertagus, raramente se atrasa ❤️️ e põe-se em lisboa em 10 minutos. Vejam os horários porque apesar de regra geral haver comboios de 10 em 10 minutos, nem todos fazem a linha completa. Os passes são mais caros do que os da TST, mas na minha opinião compensam bastante (vejam os preços aqui). Infelizmente o comboio da Fertagus fica no pragal, o que significa que vão ter de apanhar o metro da margem sul até à FCT. O preço do Passe são 9€. O percurso dura entre 10 a 15 minutos mas às vezes espera-se que se farta. Existem algumas situações caricatas com o metro que são tão lindas que fazem com que tenhas de ir a pé, mas são pontuais (uma ou duas vezes por semestre). O percurso a pé pragal-universidade dura 30 minutos a andar bem.
Bónus: Mais um bónus pessoal. Para os sortudos que vão de carro para a FCT só têm de se preocupar com uma coisa. Avisem durante a inscrição que querem entrar com o carro no parque da FCT (porque se calhar têm de vos dar logo um cartão da çena) e insiram a vossa matricula no CLIP como está explicado aqui. Tá feito. Se vierem de lisboa têm de pagar a portagem da ponte, e nesse caso recomendo o Via Card para poupar uns trocos.
E acho que é tudo por agora. Qualquer dúvida que tenhas deixa aí um comentário que a malta ajuda.
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2015.09.05 12:15 fodaze Entrei na FCT, o que faço agora?

Em primeiro lugar parabéns por teres entrado na melhor faculdade de Portugal e quiçá da margem sul. Mas agora calma, que as tuas aulas só começam dia 21 de Setembro. Antes de começarmos aqui ficam umas cenas fixes de devias veler:
Bónus: Se spam e cringe é a tua cena, pede para entrares no grupo do Facebook da FCT

Inscrições

O primeiro passo para oficializares a tua presença nesta grande instituição é, claro, inscreveres-te na FCT. As inscrições são dias 7 a 11 de Setembro (segunda a sexta).
Se as inscrições forem como sempre foram desde que estou na FCT, o procedimento é simples. Vai cedo para a FCT e corre até ao edifício VII (é aquele que tiver mais gente acumulada e de onde vierem os gritos). Faz barulho, fala com pessoas mas arranja uma senha ASAP, porque elas acabam rápido. Se vieres de longe e chegares um bocado mais tarde, diz que vens de longe e chora um bocado, que o pessoal costuma ser porreiro.
Documentos necessários para a inscrição
Vais precisar de levar uns documentos para te inscreveres e fotocópias de outras coisas. A lista é esta:
Se te esqueceres de alguma fotocópia não entres em pânico, pois podes tirar as cópias na Duplix (ou numa cena que vende cafés da nespresso que eu nunca sei o nome).
Se tiveres a mesma sorte que eu tive, só te vais inscrever depois do almoço, por isso temos de aproveitar este dia de desbunda.

Praxes

Agora é tempo de ires ter com o teu curso para seres praxado. Se não quiseres ser praxado, vai ter com o teu curso na mesma. Fala com o pessoal e conhece pessoas, pois com sorte, se tiveres entrado para um curso com uma CoPe (Comissão de Praxe) decente, ninguém te vai censuraescurraçaignorar. Eu recomendo a praxe, pois lá conheci amigos que vão para além da faculdade, tanto caloiros como veteranos, mas a decisão é tua e ninguém tem nada a ver com isso. Se queres ser praxado vou já dar a primeira dica. Leva roupa confortável que se possa sujamolhar. Agora andam mais calminhos com as molhas, mas mais vale prevenir. Começar a faculdade a estragar a tua t-shirt preferida não é fixe. Avisa a tua CoPe de possíveis alergias e guarda bem o teu telemóvel/carteira (uma mochila é sempre fixe). Não me vou alongar mais sobre as praxes. Aproveita e trata toda a gente com respeito para que também sejas respeitado. Lê o código de praxe para que ninguém se estique e não tenhas medo de parar a praxe se exceder os limites. Invoca o Fodaze que ele vai lá e parte aquilo tudo.

Alojamento

Se fores de longe ou se simplesmente queres-te ver livre dos teus pais, precisas de uma casita, de preferencia colada à FCT para não teres de te mexer muito segunda de manhã para ires àquela teórica linda com presença obrigatória (sim, já todos passámos por isso). Tens duas hipóteses: Residência ou um quarto/apartamento.
Quanto à residência, podes ler mais sobre ela aqui. Eu só fui lá levar uns amigos meus que beberam demais e esqueceram-se do caminho por isso não te posso ajudar muito, mas esse site deve servir.
Quanto ao quarto/apartamento, a tua melhor hipótese é vires aqui. O serrado fica colado (5 minutos a pé) à FCT e praticamente só estudantes é que moram lá, por isso deve ser a melhor aposta para ti.

Transportes

Existe muita gente que não tem a sorte de viver colado à faculdade e tem de se deslocar de longe. Para esses que andam de transportes públicos vão ter de comprar uns passeszinhos mas não vai ser nada demais. Se não podes viver sem autocarro, a TST é a tua melhor amiga. O autocarro que passa à porta da Faculdade para Lisboa é o 158. Na via rápida também tens o 161 que fica a 5 minutos da FCT. Mas quando chove é um bocado chato e há carros a passar e assim. Podem ver os preços dos passes aqui. Se como eu odeiam autocarros, a vossa melhor aposta é a Fertagus. No que toca à fertagus, raramente se atrasa ❤️️ e põe-se em lisboa em 10 minutos. Vejam os horários porque apesar de regra geral haver comboios de 10 em 10 minutos, nem todos fazem a linha completa. Os passes são mais caros do que os da TST, mas na minha opinião compensam bastante (vejam os preços aqui). Infelizmente o comboio da Fertagus fica no pragal, o que significa que vão ter de apanhar o metro da margem sul até à FCT. O preço do Passe são 9€. O percurso dura entre 10 a 15 minutos mas às vezes espera-se que se farta. Existem algumas situações caricatas com o metro que são tão lindas que fazem com que tenhas de ir a pé, mas são pontuais (uma ou duas vezes por semestre). O percurso a pé pragal-universidade dura 30 minutos a andar bem.
Bónus: Mais um bónus pessoal. Para os sortudos que vão de carro para a FCT só têm de se preocupar com uma coisa. Avisem durante a inscrição que querem entrar com o carro no parque da FCT (porque se calhar têm de vos dar logo um cartão da çena) e insiram a vossa matricula no CLIP como está explicado aqui. Tá feito. Se vierem de lisboa têm de pagar a portagem da ponte, e nesse caso recomendo o Via Card para poupar uns trocos.
E acho que é tudo por agora. Qualquer dúvida que tenhas deixa aí um comentário que a malta ajuda.
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